PRA COMEÇO DE CONVERSA…

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Antes que tudo começasse apenas um ser existia: Deus. Além dele, nada e ninguém mais. Só ele e mais ninguém vivia. Fora dele, nada, absolutamente nada! Nem galáxias, nem nebulosas, nem estrelas, nem planetas, nem matéria alguma, nem vida nenhuma. Nem luz, nem trevas, nem dia nem noite. Nada. Absolutamente nada. Só Ele.

Mas Deus, que se bastava, não quis se bastar. Transbordou a sua essência num infinito gesto de comunicação criadora. Quis que os seres existissem. Nenhum seria como ele, mas todos partilhariam dos dons da existência. Então, o Universo começou a existir. Uma vasta explosão que não se sabe nem quando nem como se deu, deu origem às nebulosas, galáxias em número de bilhões e cada uma delas por sua vez, com milhões ou bilhões de sóis do tamanho ou cem vezes maiores que o nosso.

Em tudo isso Deus estava presente, transformando, formando, criando e fazendo existir. No vastíssimo e incomensurável universo, perdida num obscuro e insignificante ponto da vasta e incomensurável Via Láctea, atrelada como pedaço extraviado de não se sabe onde a um sol que a ilumina e aquece, Deus comunicou-se, criando esse minúsculo grão de areia cósmica chamado Terra. Nem brilho próprio ela tem, mas nela há trilhões de vidas criadas pelo primeiro ser vivo.

Nesse minúsculo e insignificante grão de areia cósmica que não figuraria nem sequer um gigantesco mapa do Universo, tal a insignificância de sua posição e tamanho, Deus comunicou sua essência criando a noite e o dia, a luz e as trevas, o mar e a terra, os vales e as montanhas, os grandes e pequenos animais, os peixes, as aves, os répteis, e os mamíferos e toda a espécie de vida animal e vegetal.

Finalmente Deus comunicou sua essência e criou um complexo, minúsculo e contraditório ser, livre e prisioneiro do universo. Os gregos e latinos o chamaram de homo: semelhante. Nós o chamamos de homem. Engaiolado neste minúsculo grão de areia, mas com capacidade de com a sua imaginação, ir para além de toda a obra de Deus ele foi criado macho e fêmea, homem e mulher. Da terra, para a terra, em favor da terra. Deveriam melhorá-la e aperfeiçoá-la.

Passaram milhares, talvez milhões de anos. Ninguém sabe ao certo, mas e este minúsculo ser dotado de um enorme potencial crescia com enorme lentidão em direção da verdade para a qual fora criado. Pequeno, complexo e confuso demais e sem consciência alguma de seu papel, o ser humano começou a crescer em direção oposta à da criação. E Deus interveio. Mandou alguém para lembrar ao ser humano que não se vive de qualquer jeito.

Bilhões de pessoas nesse planeta acreditam que mais uma vez Deus extravasou sua essência de maneira especial na pessoa de Jesus de Nazaré e por meio dele se comunicou ao ser humano. Ele viria restituir ao homem a consciência cósmica e o senso de missão neste perdido e obscuro grão de poeira sideral chamado Terra. Veio dizer que Deus se importava e continuava comunicando, mas queria uma resposta igualmente comunicadora por parte do homem.

É assim que João se expressa:

No princípio só existia um ser essencial. Ele era o Logos. Esta essência só existia em Deus, porque na verdade ela era o próprio Deus, o ser essencial. Todas as coisas que existem são acidentes e foram feitas por essa essência. Nada do que existe teria existido sem ela. Nela estava a vida que era, por sua vez, a luz que norteia o ser humano. Um dia essa luz veio e brilhou nas trevas, mas não foi acolhida. No entanto, no meio das trevas,quando ninguém mais via o rumo a seguir, houve um homem enviado por Deus que percebeu a direção da luz e seguiu por ela. Seu nome era Iohanam, que quer dizer Deus se lembrou. Sua missão era apontar para a existência dessa luz afim de que todos começassem a entendê-la e acolhê-la. João não era a luz. Apenas apontava para ela.

A verdadeira luz seria outra pessoa que se chamaria Ieshuah: Deus liberta. Veio como luz do alto. E é esta luz que pode iluminar todo e qualquer ser humano que tenha nascido neste mundo. Um dia esta luz brilhou na Terra. E o mundo que havia sido feito por ela não se deu conta de que ela já estava brilhando nele. Veio se comunicar, mas não foi acolhida. Aliás, tentaram apaga-la.

Mas houve um pequeno grupo de pessoas que entendeu o que se passava e entraram em comunicação com essa essência de Deus que Jesus mostrou não estar longe de ninguém. E a eles Jesus deu o poder e o direito de se proclamarem filhos de Deus e filhos da luz. Chamou-os de Luz do Mundo. São pessoas nascidas não do sangue nem da carne, mas de um chamado de Deus. E foi assim que o verbo, a comunicação, a luz de Deus assumiu a natureza humana e armou sua tenda entre nós.

E nós fomos um dos que viram a sua glória, glória do Filho Único de Deus, pleno de graça e de verdade. É dele que João Batista falava quando disse: “- O que vem atrás de mim, passou adiante de mim porque já existia muito antes..”

É da sua plenitude que recebemos favores um após o outro. Moisés nos deu uma Lei. Mas Jesus de Nazaré nos deu a luz, a graça e a verdade. Nunca, jamais alguém viu a Deus. Mas nós o vimos na pessoa de Jesus e na sua glória. E sustentamos que Jesus vem dessa essência.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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