Nem você nem eu sabemos o que nos levará desta vida para uma outra experiência de viver. Uma queda, várias disfunções orgânicas, uma enfermidade fulminante, um acidente em casa ou na rua, uma batida de carro, um avião que cai, uma bala perdida, um assassino frio, uma prolongada enfermidade, um ato de desespero… Simplesmente nem eu nem você sabemos como será nosso desfecho e nossa passagem pelo túnel da maior de todas as asceses.
Mas o túnel existe e, assim como nenhuma estrada começa num túnel nem termina nele, nossa vida veio de um antes, tem o seu durante e passará pelo túnel da morte para prosseguir no depois. É uma só vida de duas etapas, a primeira das quais é a que estamos vivendo.
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A depender da fé que você tem, você dirá que já viveu neste mundo e que está de volta num outro corpo e que voltara muitas vezes. É o caso dos irmãos espíritas cujos livros se pode ver nas estantes de estrada e de aeroportos. Narram seus encontros com os mortos, ou destacam as vidas de quem, segundo eles, voltou a encarnar-se. Em resumo, aquela pessoa já foi outra!
O pensamento, mesmo que dele discordemos, deve ser respeitado, como eles respeitosamente discordam de nós. Agrada aos que não acham lugar para o definitivo da separação e da morte. Querem contato com quem passou o túnel e recorrem a religiosos que dizem ter este acesso. Sem polemizar, reflitamos. Traduz busca de respostas. E não deixa de ser visão de consolo! Mas, por mais científico que possa parecer, é religião e não sai da esfera da fé. Não há como provar por A+B. Ou seja, eles provam que sim e nós não aceitamos suas provas, nós provamos que não e eles não aceitam nossas provas.
Fui chamado de estúpido e incapaz de ver os fatos por um senhor que aposta na volta de quem foi. Sua lógica é a de segunda ou décima chance. Não admitiu a minha, que aponta apenas para uma vida e para a misericórdia de quem nos criou. Não nascemos perfeitos, não morreremos perfeitos e o Ser perfeito que nos criou saberá o que fazer com sua criação que volta imperfeita para o seu colo.
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Sou dos que, com Paulo, dizem que somos eviternos. Não existíamos e um dia tivemos um começo. Viemos daquele que sempre existiu e não haverá segunda chance de viver aqui. Vive-se uma só vida. Depois da morte vem o julgamento e iremos para nosso destino final. Não há retorno. ( Hb 9,27 ) Isto dizemos nós. Não é o que dizem outros irmãos de outros caminhos, grande número deles pessoas íntegras e serenas. Aceitam outra explicação para o aqui e o depois.
O que dizemos é que a vida tem aqui o seu lado terreno, e depois dela, parte-se para o lado eterno. Não seremos nunca outra pessoa. Somos eviternos porque tivemos começo, mas não teremos fim. Em resumo: começamos, mas jamais cairemos no aniquilamento. Viveremos eternamente.
Se nem tudo deu certo conosco temos um salvador misericordioso ( Hb 2,1 ; 8,12 ; Tg 5,11) que estará por nós, posto que é justo juiz ( 2 Tm 4,8) Quem fez ascese e veio até nós era movido de grande compaixão. Mt 20,34. Veio nos elevar e elevou quem se deixou puxar para as suas alturas. Deus é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, (Ef 2, 4)




