Foi triste constatar que quase cem parlamentares, um em cada cinco deputados, sofre algum processo por corrupção, ou por malversação de fundos, ou por atos de violência cometidos nos seus estados de origem. Também foi muito triste ouvir que mais de 2.900 candidatos são inelegíveis, ou por corrupção ativa ou passiva, ou por não terem administrado bem os seus estados e as suas cidades.
Isso mostra o quanto nossos políticos estão despreparados para a função. Médicos, engenheiros, professores universitários, e técnicos das mais diversas áreas costumam se preparar com muito mais esmero para a sua função. Com arras exceções os políticos parecem despreparados para sua gigantesca tarefa de representar o povo. Não raras vezes os partidos escolhem quem pode puxar votos e não quem tem conteúdo para aquele cargo.
A maior parte da culpa cabe aos partidos políticos que os acolhem e os apresentam para os votos do povo, outra parte cabe a esses políticos que buscam mais os seus interesses do que os do povo a quem garantem servir e outra certamente cabe aos eleitores que, mesmo sabendo dos desmandos de seus políticos os reconduzem ao poder.
Do lado dos candidatos, a busca sequiosa do poder que usam mais para si do que para o seu povo; da parte dos partidos a imoralidade de quem acoberta um suspeito de desmandos e torna a apresentá-lo ao eleitor; da parte do eleitor a inconsciência pontilhada de incoerência. Votam sabendo que seu candidato está longe de ser inocente, mas ele deu cesta básica e algum emprego ou dinheiro para alguém da família.
Há os bons que há muito parecem não ter forças para redimir o congresso. Suas leis não passam e sua luta por moralizar aquela casa esbarra na teia dos interesses pessoais e partidários. O triste é que alguns de tão honestos, acabam perdendo as eleições. O corrupto teve mais mídia e o povo tira o honesto daquela casa para por no lugar dele mais um corrupto.
Estamos, como país, precisando de um banho de civismo e de votar com ira santa. Bastaria que povo não elegesse os quase cem suspeitos daquela casa e lhes desse quatro anos para resolverem a sua situação, mas fora do Congresso. Será que o Brasil ainda tem esta capacidade? As urnas são as únicas armas legítimas que temos. O triste é que milhões não as usarão contra os maus políticos. Continuarão sem saber quem é bom e quem é mau. Não lêem e não gostam de ler, não pensam e não gostam de pensar. E na maioria das vezes votam em quem falou bonito, em quem seus chefes mandaram votar, e no político que lhes disse o que gostariam de ouvir: apertam o número certo e escolhem o sujeito errado!



