Apresentada como conquista da sociedade, a proposta do aborto assistido pelos recursos do Estado visa a saúde da mulher. É o que dizem. Pretendem evitar que milhares de grávidas morram ao tentar extrair o feto que não desejam como filho, seja por desespero, seja porque não podem criá-lo, ou seja porque simplesmente não querem ser mães.
Os partidos que aprovam esta lei falam do direito da mulher à escolha e à saúde. Só não falam no direito do feto que, mesmo não tendo ainda nem rosto, nem nome, nem identidade já tem o direito à vida. Não é um tumorzinho.Tumorzinho se extrai, feto se assume! É vida humana! Um país que defende filhotes de mico-leões-dourados, antas e araras e até passa leis que protejam suas fauna e sua flora terá que explicar ao futuro porque salvou aquelas vidas e permitiu que se matassem fetos humanos. Queria as futuras antas, mas não queria os futuros humanos? Pune-se quem mata um bicho raro e permite-se extrair um feto humano?
Quando se lê que, no passado, determinados políticos e partidos defenderam a descriminalização do aborto e até propuseram que o Estado acolhesse a prática como questão de saúde pública; quando consideram o direito de abortar como direito natural da mulher, num estado democrático é óbvio que os religiosos reagirão. Da mesma forma que os pais não são donos absolutos de seus filhos nascidos, também não são dos filhos concebidos. Nem o Estado é. Cremos em Deus! E se os outros cidadãos tem o direito de não crer que a vida pertence a Ele porque duvidam de sua existência, nós tão cidadãos como eles temos o direito de crer e lutar para que a vida seja tratada como cremos que deva ser. O assunto deixa de ser apenas político e apenas religioso: torna-se assunto transversal da vida de uma nação. Assinaremos pena de morte para vidas incômodas ou não? Não se pode matar um bandido que assassinou trinta pessoas,. Mas pode-se matar um feto que veio em hora errada?
Alguns religiosos falam de maneira serena, mas forte e outros de maneira agressiva. O fato é que defender e conservar a vida do feto não é um ato de conservador; é atitude avançada! Aí está um caso em que conservar vidas é um ato progressista; extrair é que é retrocesso.
Existe a grávida, o fato e o feto! Se de um lado há quem admita a morte do feto em favor da gestante, do outro haverá quem defenda o feto contra a decisão da gestante ou do governo que a apoia. Eles dizem que é assunto apenas da mulher grávida, e os que defendem o feto garantem que é assunto de toda uma sociedade. O filho não é nem será só dela! E aí vem a resposta soco no fígado: “-Mas quem vai ter que criar é a mulher e não a Igreja nem a sociedade! Então que a mulher decida se quer ter ou não ter um filho. Quem não cria, não pia!” Argumento imbatível? Até que ponto?
São duas visões em conflito. Uma delas é a materialista, que afirma que Deus não existe e que o feto pertence ao casal que o gerou, além do que, feto não é ainda ser humano… A outra diz que Deus existe e é o dono da vida. Pode-se discutir à farta sobre o que é ser moderno e progressista e o que é ser ultrapassado.
O fato é que o feto morre por mãos humanas e no momento isto é proibido em nosso país que, por enquanto, reconhece o direito de nascer. Se estão tentando punir os que praticaram tortura no tempo da ditadura, os mesmos que lutam por esta punição e que também são contra torturar passarinhos, micos e gatinhos deveriam lutar para que não se torture um feto. O argumento é que ele não sofre e não sente dor porque ainda não funciona como ser humano. E isto é científico?…
Não se pode eliminar um combatente pela liberdade, mas pode-se eliminar um possível futuro combatente, porque ele ainda não sente, não ama e não tem mais do que dez centímetros? A lei deve punir quem elimina uma vida adulta, mas deve permitir que se elimine uma vida que a mãe não quer? Se quem defende o feto é taxado de conservador e jurássico que nome daremos a quem o trata como hóspede incômodo! Desde quando matar um feto é ato civilizatório?




