O PRESIDENTE E A IDEOLOGIA

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Soou contundente a frase do dissidente Guillermo Fariñas, vitima da repressão em Cuba e punido por subversão, depois da morte por greve de fome, de Orlando Zapata e da frase infeliz do presidente brasileiro Luiz Inácio da Silva que o comparou a um bandido comum. Disse Fariñas, também ele em greve de fome por direitos humanos em Cuba: “A história se encarregará de colocar Lula em seu devido lugar”. Guardem esta frase porque não tem nada de novo. A história já pôs no devido lugar papas, reformadores e conquistadores de renome.

“Fizeram coisas boas, mas disseram coisas bobas”. E fizeram bobagem ainda maior. Perguntem aos historiadores! Pessoas de fama e renome pagaram alto preço por não fazerem ou não terem dito o que deveriam dizer quando era sua vez de mostrarem quem eram. Ficou como mancha nas suas biografias, Lutero ter permitido um massacre de camponeses e revolta, Calvino ter, de certa forma, sido a causa de Miguel Serveto ser queimado vivo como herege. Papas como Libério e João XXII nunca mais escaparam da pecha de hereges por terem silenciado ou cedido em questões fundamentais. E tinham feito coisas boas!

Lula tem feito coisas boas, mas algumas de suas posturas se revelam mais ideológicas do que democráticas ou éticas. O governo Lula mais que depressa devolveu a Cuba esquerdista dois atletas cubanos que pediam asilo, sob a alegação de que se arrependeram do pedido. Ou a mídia não os entrevistou ou assinaram um papel que não foi mostrado. Tiveram que voltar para Cuba.

Mais que depressa o governo devolveu um direitista acusado de crimes para ser julgado num país de esquerda. Mas hesitou em devolver um esquerdista histórico italiano acusado de terrorismo e de morte. O caso continua pendente a depender apenas do presidente. Um dos seus ministros argumenta que seu governo só se relaciona com governos. Pois é o governo italiano que pede a extradição do esquerdista acusado de terrorismo. Vai devolvê-lo ou não vai?

Diz o governo que não tinha porque interferir no caso do grevista que morreu de fome porque Cuba é soberana. Mas comparou-o a bandido comum, logo o Lula que não era bandido e que também fez greve de fome, tendo inteligentemente parado em poucos dias. O governo cedeu. Se a ditadura de direita não tivesse cedido e se Lula tivesse morrido de fome, a culpa seria de quem? Do opositor Lula ou da ditadura? A ditadura de Cuba não cedeu e a culpa foi de quem? Lula jogou a culpa no grevista que pôs o governo dos irmãos Castro em situação incômoda. Compará-lo a bandido e não dizer aos amigos o que um democrata deve dizer manchou a biografia do até agora democrata Lula.

Por isso soa contundente a frase de Guillermo Fariñas. Quando a ideologia soa mais forte do que filosofias, antropologias, sociologias e a teologias, perde o povo e perde o líder. Diante do mesmo fato o que teriam dito Mandela e Mahatma Ghandi? Teriam culpado a greve de fome?

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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