O PÁROCO POLÍTICO

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Aceito pelos quatro partidos da cidade, pelo prefeito e pelos vereadores, o novo pároco fez uma revolução em apenas um ano de liderança. Deixara bem claro aos católicos que viera para criar espaços de solidariedade na cidade que já era boa, mas pregou desde o primeiro dia, que cabia aos católicos e irmãos de outras igrejas tornarem o município ainda melhor. “Teologia rima com cidadania”, dizia ele!

Não veio com idéias estrondosas. Começou pelo simples. Pediu aos católicos proprietários de lojas, churrascarias, padarias e pizzarias que pensassem nas mamães com os seus bebês, nos cadeirantes, nos surdos e nos cegos. Propôs que rebaixassem as guias, que houvesse no banheiro feminino espaço e utensílios para limpar os bebês, que os banheiros fossem ampliados para segurança dos cadeirantes, que houvesse uma linha de ladrilhos especiais que levassem os que não vêem aos seus lugares, que alguns lavabos e mesas fossem ajustados para eles e que, se possível, para a tranqüilidade dos pais, alguns jovens se oferecessem como voluntários para ficar numa sala da paróquia com as crianças em eventos especiais para os casais.

Tudo foi feito! Quando completou um ano de pároco, a cidade lhe deu um diploma. Emocionado lembrou ele:
- Não inventei nada. Está tudo por entre linhas nos documentos da Igreja, que pede aos católicos que se preocupem com os que mais precisam. Ajudaremos o prefeito a cuidar das flores, a fazer um horto, lugares de descanso para os idosos os casais e as crianças e daremos às crianças e aos adolescentes a chance de conhecerem melhor as mais diversas espécies de vida na região onde moramos. Vocês façam política partidária e solidária a partir das idéias dos seus partidos e nossa Igreja fará política solidária partir da Eucaristia.

Os evangélicos ofereceram a sua contribuição e criou-se um comitê de religiosos que ajudariam a cidade a se tornar mais humana. O pároco tinha apenas 34 anos. Perguntado de onde tirava tanta força respondeu:
-De Jesus e de vocês com suas crianças e seus velhinhos. Se eu fosse casado estaria fazendo o que vocês fazem. Como não sou, ajudo vocês a cuidarem de suas famílias, os políticos a governarem a e a oposição a vigiar o executivo. Acho que consegui, porque proponho o que todo mundo um dia já pensou, mas não tinha um microfone e um púlpito à sua disposição. Eu tenho!

Chamado a se candidatar a prefeito deixou claro:

- Não caio nessa tentação. Já tenho um cargo muito semelhante ao dos prefeitos. Ajudo os católicos a pensarem a vida interior da cidade!

Quem leu os Documentos do Celam e o Vaticano II sabe que ele está certo! Eucaristia rima com cidadania!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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