Em todas as épocas e em todos os tempos, as águas da política nunca foram muito limpas. Há sempre alguém ou algum grupo a turvá-las. É praça de guerra e de escaramuça em defesa ou em busca do poder. Mas de tanto em tanto, aparece um político que sabe fazer uso dessas águas.
Por mais turvas que sejam ele não levanta mais lama. Tem esse dom de sair de lá limpo. Não corrompe e não se deixa corromper. Ser honesto na política deveria ser o chamado de todos, e é, mas é vocação dificílima. Não foram poucos os que morreram por não aceitarem entrar no esquema e por havê-lo denunciado.
A política administra e movimenta milhões e há grupos que querem aqueles milhões. Montam gigantescos e complicados esquemas para ficar com seus 20%. Compram o silêncio dos envolvidos ou ameaçam de morte os que ousam falar.
Em alguns países virou epidemia. Lá fica difícil dizer quem não participou de algum esquema para desviar dinheiro. Os que não participam, ou são silenciados, ou ridicularizados ou ameaçados. Creiam, há países onde venceu a corrupção… Lá, a política virou lama. Não há mais como decantar tanta sujeira. Fica tudo na superfície. Qualquer agitação e vem mais água turva e mais lama.
É triste admiti-lo, mas o Brasil é um dos países desta lista. Alguns bons e excelentes políticos, homens e mulheres, honestos a toda prova, parecem não ter força de purificação e decantação do sistema. Além de sermos o país do desperdício, estamos nos revelando o país dos polpudos e milionários desvios de verba. Nem promotores nem juízes parecem ter força de modificar o quadro. Tem as proporções de um câncer em metástase. Quando menos se espera, ele reaparece num outro órgão. Se existe remédio, o país ainda não encontrou ou não o tem em quantidade suficiente.
No que vai dar ninguém sabe, mas o país como um todo está precisando de um demorado e prolongado banho de ética. Éramos um país muito simpático e muito esperto. Dava-se um jeitinho para tudo e cada qual conseguia o que queria ao arremedo das leis. Agora, descobrimos que nos tornamos um país aparvalhado porque não sabemos mais como enfrentar os bandidos, os ladrões, os furos, e os rombos que andam minando a vida política brasileira. Os bons políticos estão perdendo. Aumentou a lama e cresceu o número de hipopótamos: bicho pesado raramente visto em lagoas transparentes.



