FAMÍLIA, POLÍTICA E ECONOMIA

VoltarUma breve História do Futuro,
de Jacques Attali. É uma análise sadia e criteriosa do poder do dinheiro e do
mercado em todos os tempos, hoje e amanhã. O mercado governa povos, governos e
continentes e também igrejas.  O
marketing é sua ponta de lança.

 

Tudo
isto chega à família, em forma de 10% para Deus, se ela segue algum grupo que
aposta no dízimo;  5 a 30% a mais que,
num passe de magia alguns experts convencem o povo de que foi apenas 4,6%. A
família sabe que pagou 32% a mais no dentista, 44% a mais no tomate, 32 % a
mais no carro, 28% a mais no aluguel e, tudo somado, para ela a vida encareceu
acima de 27%, mas os governantes garantem que não passou de 4%. E todos estão
certos, com a diferença de que a família continua cada dia mais incerta.

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A
tendência, se não tivermos parlamentares com poder honesto de barganha em favor
do povo e não do seu partido, é a família trabalhar 7 meses por ano para pagar
o Governo, enquanto outros povos ricos e bem administrados trabalham menos de 3
meses.

***

O
grande empecilho, o mata burro do Brasil chama-se corrupção. Não importa se o é
também para outros povos. No nosso caso, funciona como um câncer no intestino
da nação e rói lá onde se coleta e se distribui o dinheiro do país. É este rio
de dinheiro represado que, em grande parte
não volta para o povo e que, cada dia represa mais; é ele que poderá
gerar, também no Brasil, o estopim das violências que vimos em outros povos.

 

O
brasileiro não é assim tão cordial como se canta. É povo capaz de ira. Somos um
dos povos que mais mata no trânsito e nas contendas e rusgas de rua. A
paciência do brasileiro anda se esgotando. A Igreja que décadas atrás produziu
um documento chamado “Ouvi os Clamores do Povo” está ouvindo de novo. Os
políticos, ou não vêem ou não dão importância. Deviam ouvir mais os psicólogos
e os sociólogos, os historiadores e seus estudos da reação das massas.

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A
prosseguir esta economia escorchante veremos violência maior do que a que já
conhecemos. Hoje, ela vem por parte de pequenos pivetes ou de grandes  bandidos organizados com assaltos e arrastões.
Como se deu muito recentemente em Paris, em Madrid, em Santiago do Chile, em
Londres e nos países árabes, por liberdades ou por mais emprego, pode acontecer
aqui.

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O
que fará o Brasil quando nossos produtos não forem mais solicitados porque
outras nações, ontem muito mais organizadas, não terão como comprá-los? Somos
mais espertos do que aqueles povos que ontem mesmo eram ricos? Alguns deles não
cobram mais do que 12% de impostos e conseguiram ser ricos. E quase todos eles
têm história de renascimentos pós-guerra e pós-conflitos.

 

Hoje
com todos estes impostos e com nossa economia festiva, quase adolescente, que
gasta o que não tem, estamos em melhores condições. Mas, a perdurarem estes
impostos e estas taxas exorbitantes, até quando o país vai segurar a revolta
das famílias?

 

Quem
está hoje no governo é, de certa forma, fruto dos panelaços dos anos 60 e das
reações dos anos 80. Os impostos, às vezes funcionam com maior poder de
repressão que uma ditadura com soldados em cada canto. Estrangulam os
empreendimentos. Que os políticos e governantes mudem, antes que as ruas os
forcem a mudar. Não será um quadro agradável de se ver.

 

Sua
família está no olho deste furacão. Nos últimos cinco anos a vida para vocês
ficou mais barata ou mais cara? Na sua casa a inflação subiu 4,6% ou 20%?  E o salário, acompanhou? Então, vocês estão
pagando com dinheiro que não têm para um governo que não gasta  como deve. Se mudar o governante e o partido
no poder vocês pagarão menos? Eis a grande pergunta.

 

Volte
a ler os especialistas em história do dinheiro e do mercado e entenderá porque
o mundo vive mais do tilintar das moedas do que das poesias, dos esportes e das
canções e orações do seu povo. Tudo isso apenas diverte, mas não resolve. O que
resolve é saber que na sua família o Governo e os  bancos servem e não mandam e o dinheiro
obedece. Vocês existem para servir, mas eles também. Não é justo que apenas
vocês sirvam e eles  decidam o quanto querem
ganhar, o quanto você pode e deve lucrar e o quanto lhes deve pagar para
continuar trabalhando. Reveja sua cidadania. Tente resolver isso sem ódio e sem
armas. Um bom começo é escolher bem seu partido e seus representantes… Alguns
deles simplesmente não têm a menor intenção de se corrigirem!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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