CASINHAS DE PERIFERIA

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Passo e presto atenção nas casinhas de periferia. São pobres, pequenas e precárias não porque seus donos assim as querem; é que não ganham suficiente para uma casa maior. Se tivessem mais dinheiro, mudariam para lugar mais confortável ou as melhorariam. Muitos nem mudariam. Não vale o lugar. Vale a vizinhança. Não são poucos os que escolhem ficar na periferia, mesmo quando ganham mais dinheiro. Neste caso, dão um jeito de comprar vários barracos e fazer ali mesmo uma casinha maior, porque sentem-se bem nas suas raízes. Conheço muitos líderes de Igreja que assim agem e assim pensam.

E há os que moram contra a vontade. Mesmo se moram onde querem, não moram como querem. Se pudessem ter banheiro maior, quarto de casal maior, um quartinho para cada filho, é isso que fariam. Em muitos casos, algum dinheirinho a mais, ajudaria a fazer um quarto especial para o avô ou para a avó que estão enfermos. Se não fazem não é porque não querem, é porque não podem. E há o casal que vai embora com tristeza, porque um traficante está de olho na sua menina de quinze anos.

Olho aquelas casinhas apertadas, quase uma em cima da outra, onde não há lugar para carro, nem calçadas. Penso na água que desce do morro em dias de chuva intensa e nem me pergunto por que moram daquele jeito. Eu sei o porquê: falta dinheiro! Os sucessivos governos não aplicaram o suficiente na urbanização e na segurança dessas famílias. Dizem que o Brasil está ficando rico. Se alguns grandes não desviassem essa imensa verba que desviam, seria possível reorganizar essas casinhas. Mas isto, se o dinheiro não fosse desperdiçado em projetos faraônicos que acabam beneficiando quem já está bem de vida. O descuido vem de longe. Não é este governo que vai mudar as coisas.

É o país em que vivemos: trata os humanos da periferia como seres periféricos e aplica ali também um dinheiro periférico. Mas o jornal está anunciando um prédio a três milhões de reais a unidade. E diz Dona Dolores, a líder comunitária, que os 150 milhões de reais que custaram a obra, dariam para re-urbanizar o morro e reassentar as 600 famílias em quatro conjuntos residenciais, sobrando espaço enorme para plantar árvores e devolver o verde ao seu pequeno bairro. Mas diz ela que construtora não faz caridade; nem o governo. Então, quem tem dinheiro compra apartamento de três milhões e quem não tem, mora em casinha de cinco mil, com aluguel de trezentos por mês. Coisas de um país periférico!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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