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Conto-lhe uma história do dia em que o sacerdote que deveria presidir a Assembléia foi transformado em coroinha e o diácono assumiu a presidência da celebração. O sacerdote era eu; do diácono ninguém precisa saber o nome. Não me contaram quem ele era, por isso convidei-o a atuar como diácono. Assim que cheguei à sacristia, ele assumiu o comando. Fez questão de vestir em mim a minha túnica. Não deixou que eu a pusesse. Ao entrar para a missa não entrou à minha frente; entrou ao lado, solenemente, saudando a todos como se a celebração fosse presidida por ele.
Já havia preparado tudo no altar; isto é, quase tudo, porque na hora da Oração dos Fiéis, estava lá ele mexendo no altar, preparando cálice, patena, vinho e água. Demorou quase cinco minutos, enquanto a comunidade fazia a oração dos fieis. Mostrou serviço. Não tinha o que fazer no altar, mas arrumou um jeito de ficar de pé, aparecendo, depois da leitura do Evangelho que, numa capela para cento e cinqüenta pessoas, ele leu em voz fortíssima e microfone estourando, como se pregasse para cinco mil pessoas ao ar livre.
Não sabia utilizar o microfone. Foi soleníssimo. O Evangelho foi demorado. Na hora dos cantos pegou o microfone do altar e cantou junto. Colocou-se no altar ao lado do padre. Tudo que eu fazia, ele fazia: quis por a mão na patena, enquanto eu a elevava; quis por a mão no cálice. Tive que pedir para que não o fizesse. O tempo todo ajustava o meu microfone que já estava bem ajustado, mas ele dava um jeito de desajustá-lo para ajustá-lo.
Fez de tudo para ser notado. Teimava em me ajudar em tudo. Na hora do Pai Nosso ele se antecipou e o motivou sem que eu tivesse pedido. Na hora da Comunhão distribuiu o corpo e o sangue do Cristo no lugar que seria do padre. É que ele se antecipou e pegou a fila do centro.Fui para outro lugar, já que a capela era pequena e ele tinha que mostrar serviço.
Chegou, finalmente, a hora de purificar o cálice, após a comunhão. Levou dez minutos. Mexia que mexia, limpava que limpava, ajustava que ajustava! Finalmente, na benção final quando fiz o sinal da cruz para abençoar o povo ele o fez comigo. Na hora de desejar a paz com o “Ide em paz” ele pediu um aplauso para mim que estava visitando o lugar pela primeira vez e assumiu o comando da despedida, deixando bem claro quem presidia aquela missa, pois disse que teve a honra de ter o Padre Zezinho como auxiliar naquela santa missa, na capela onde era diácono.
Soube, mais tarde que ele fez isso com diversos outros sacerdotes que se queixaram ao bispo. O bispo teve que proibi-lo de atuar como diácono. Aquele era um diácono invasor. A capela era dele, os casamentos eram dele, as visitas aos doentes eram dele e a missa também era dele.Padre era auxiliar, um mero detalhe. Imaginei uma igreja liderada por diáconos, com dez padres para cada diácono.. Seria a igreja dos sonhos dele. Os primeiros sete diáconos não poderiam imaginar que em nenhum lugar do mundo a coisa chegaria a esse ponto, mas chegou… Não andaram falando em igreja da diakonia? Pois então!




