LAR TRANSFIGURADO

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Chegamos ao fim de nossas leituras. Chamei-as de leituras, porque como disse, ao começar estas páginas, pretendia oferecer aos que me conhecem e comungam do meu jeito de ver e expor as coisas, um pouco do meu jeito de ler a vida, os humanos e seus amores e a família.

Há lares desfigurados. Lembram os rostos felizes e cheios de vida de um casal que começou por entre flores, êxtases e aplausos e de briga em briga, desrespeito em desrespeito, lágrimas e iras são hoje rostos crispados, nem sombra do que eram quando o romance começou. É a obra prima que acabou pichada. Os dois talvez não admitam, mas sabem que o amor que não deu certo começou a não dar certo quando apareceram as primeiras mútuas pichações e as primeiras lascas sem os devidos reparos. Aquele álbum de casamento conta histórias lindas que ficaram tristes.

E há o casamento transfigurado. Vieram os filhos, veio a vida com todas as suas novidades, percalços de desafio, mas os dois acharam um sentido para tudo. Foram transfigurando-se e entendendo a extensão daqueles primeiros enlevos, carícias, beijos e entregas. Talvez não sejam mais tão ardentes, mas estão cada dia mais profundos porque as dimensões do ser a dois ganham novos contornos a cada mergulho na profundidade um do outro.

Quando celebro as bodas de algum casal amigo vejo nos seus olhos a expressão de quem faria tudo outra vez e desta vez ainda melhor. Foi união surpreendente e transcendente. Souberam levantar vôo e voltar sempre que preciso ao ninho que construíram. Nidificadores, nunca cederam à tentação do nidífugo: o que se cansa do ninho.

Fim de livro e fim de leituras. Talvez a prece que os crentes mais deveria fazer quando contemplam seu matrimônio seja a do monge que, todos os dias, dizia a Deus:-Não deixes que eu me canse! Ainda não cheguei ao topo dos meus e dos teus sonhos!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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