Giuglia e Robert moram nos Estados Unidos e tiveram dois filhos e uma filha. Giuglia engravidou na adolescência e criou o filho sozinha, até que encontrou o Robert que a assumiu, com o garoto de sete anos. Tiveram mais um filho e uma filha. Tudo foi bem até os dezessete anos do rapaz.
Um dia, naquela casa entrou, primeiro, a maconha, depois a cocaína. O rapaz foi mudando para pior e os pais que, até então, venciam de 7 a 3 ou 6 a 4 começaram a perder de 6 a 4 e de 8 a 2. Vale dizer: o rapaz passou a dominar a casa. Soberano e tirano, começou a trazer meninas para seu quarto quando o pai viajava e a traficar maconha e cocaína. Os pais descobriram que ele não era apenas usuário: entrara para o crime. Escondia a droga no carro do casal e na própria casa.
Eram evangélicos. Consultaram advogado, pastor e juiz. Foram aconselhados a dar queixa e a registrar, com testemunhas, o fato de que ele guardava drogas em casa. Qualquer batida policial isentaria os pais e os outros filhos. Ao mesmo tempo, receberam todas as instruções sobre como lidar com um filho traficante em casa. Chegou à idade adulta e, como se mostrava cada dia mais desafiador, os pais foram aconselhados a expulsá-lo de casa, pelo bem de todos. Não conseguiram fazê-lo.
O advogado dos pais falou com advogado designado pela corte, e de comum acordo e por ordem judicial, no primeiro dia em que pela Internet perceberam que ele traficava a partir do seu quarto, jogaram-no na correcional. Era usuário traficante. O ódio dele cresceu, contra o Estado, contra a mãe e contra o padrasto. Jurou vingança. O padrasto pediu proteção que lhe foi dada. Nos Estados Unidos é permitido o porte de armas. Ligaram sua casa direto com a polícia do condado. O rapaz não sabia. Um dia, escapou da prisão e foi direto para a casa. Foi dado o alarme.
Tiroteio, crianças protegidas, mãe ferida, filho morto. Problema resolvido apenas em parte! Os dois filhos ouviram uma tia que os jogou contra os pais. O drama prosseguiu. Não fosse uma suave pedagoga católica e um psicólogo evangélico, o lar teria sido destruído. As crianças entenderam que os pais não tinham tido escolha. O irmão drogado jurara matar toda a família. Havia provas no seu computador. Foram oito anos de sofrimento. Juiz, advogado, polícia e igrejas fizeram de tudo para salvar o rapaz e seus pais. A droga venceu o rapaz, mas não venceu a família. Sem esforço conjugado ela vence. Quem se isola e tenta vencê-la sozinho perde. Ela pode não ser um demônio, mas dos males atuais é um dos mais demoníacos. Sem fé não dá.




