Conheci quando jovem sacerdote, um ateu profundamente humano, profundamente amigo, extremamente inteligente e muito capaz de diálogo. Ele não acreditava em Deus, mas admirava pessoas que acreditavam. Conheci recentemente um teólogo evangélico muito inteligente, cordial, acessível e aberto ao diálogo. Ele acredita em Deus e admira alguns amigos ateus que não acreditam. Temos o mesmo jeito de pensar, mesmo que discordemos em alguns enfoques. Na maioria dos lugares da vida, porém, nossos pensamentos convergem.
Para ser meu amigo não tem que ser crente do meu jeito; não tem que ser crente de qualquer jeito. Pode até ser ateu, desde que tenha um grande respeito pela vida e pelo ser humano. Três amigos ateus que conheço e que suponho que me queiram bem adotam o mesmo critério, procuram coerência. Conheci teólogos que praticavam a chamada teologia natural. Conheci teólogos que praticavam a teologia revelada e conheci ateus que praticavam a procura sincera pela verdade sobre a vida e sobre o homem, mas não tinham chegado a nenhuma conclusão sobre se Deus existe ou não.
Os ateus nunca abalaram minha fé, nem os crentes de outra religião me desestabilizaram; ao contrário, muitos me ajudaram a crer melhor. Mas é claro que levei em consideração o que disseram crentes de outras religiões, cristãos de outros caminhos e ateus. É que desejo crer em Deus de maneira inteligente e, para crer nele de maneira inteligente, eu preciso ouvir o que os outros tem a dizer.
Quero ter fé, mas não quis e não quero jamais ter visão de toupeira. Quero ver melhor para crer melhor e, se não puder ver, aí sim, aceitarei crer, mas dentro dos limites que a fé impõe. Tenho mais dificuldade de conversar com crentes fanatizados e donos e incríveis revelações do que com ateus abertos a diálogo. Considero uma grande benção ter descoberto que a fé tem limites. Por isso mesmo discordo dos que ensinam que crer no impossível é ter fé. Há um “impossível” que nunca será possível, nem com mil megas de fé. Deus não fez nem jamais faria. O gelo nunca será quente.
Há coisas que nunca saberemos neste mundo e nem sei se saberemos depois da morte, porque nunca nos tornaremos deuses. Só Deus sabe tudo e, por mais que Ele o revelasse, eu, ser humano, não teria capacidade de compreender e de saber o que Ele sabe.




