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A maioria das pessoas conhece as palavras da sua fé, mas não as situa. Citemos algumas: teísmo, politeísmo, monoteísmo, ateísmo, latria, monolatria, idolatria, triteismo, trinitarismo, teocracia, teocentrismo. Cristianismo católico, cristianismo ortodoxo, cristianismo evangélico, cristianismo pentecostal. Hebreu, israelitas, judeus. Islam, muçulmanos, maometanos.
Às vezes, quem segue não consegue explicar; quem fala de fora não consegue atinar e quem discorda não consegue ser imparcial.
Se, um dia, todos os lideres serenos das maiores e mais conhecidas religiões do mundo, dez ou vinte deles pudessem sentar-se juntos por uma semana num estúdio de televisão e cada qual respondesse a trinta perguntas fundamentais sobre o que é crer em Deus, no que precisamente eles crêem e como praticam sua fé, e, se suas respostas fossem digitadas, publicadas em DVD teríamos um valioso auxílio para a compreensão da fé no mundo.
O panorama da fé, hoje, embora ofereça esperança e alento, ainda é o da ignorância manipulada. Sabemos pouco sobre as crenças dos outros e, bastas vezes, o que sabemos é preconceituoso. Não deixamos que se expliquem e não nos explicamos com serenidade. Os mais estudiosos e cultos tentam dialogar, mas os menos instruídos em todas as religiões parecem ser quem dá o tom. A mídia religiosa atinge milhões de ouvidos e estes pregadores pouco dados a leituras, a diálogo e a estudos são os que mais a usam. Resumindo, e com tristeza: os que conhecem bem a fé dos outros não entram na maioria das casas. Os que sabem pouco ou quase nada, ignorando até mesmo as doutrinas da sua própria fé, são os mais falastrões.
Quando os que falarem nos grandes púlpitos forem homens e mulheres com razoável conhecimento de história, antropologia, teologia, psicologia e sociologia, talvez a religiões se aproximem com menos preconceito…Mas, enquanto os pregadores menos versados em cultura universal insistirem que os outros não sabem o que eles sabem e que Deus se revela mais a eles do que aos outros, teremos milhões de pregadores a anunciar Deus a partir de cabines separadas e a puxar para seus templos os fiéis que, ontem mesmo, ouviam os outros.
A disputa por olhos e ouvidos encheu de sombras os arcabouços da fé. Foi cada um para o seu canto ouvir seus pregadores preferidos garantirem que os que os ouvem são os preferidos de Deus. O discurso atual dos que pregam na mídia é, em grande parte, o de pastores a pregar para as ovelhas do seu cercado e a puxar as ovelhas dos outros para o seu redil. Não explicam direito nem aos seus nem aos outros o que entendem por fé, por Deus, por religião, por latria ou idolatria. Só sabem que sabem mais do que os outros. Só sabem que crêem mais e são mais fiéis. Só sabem que os outros têm mais a aprender com eles do que eles com os outros.
Se vão mudar? Levará séculos. Enquanto os humanos gostarem mais de falar do que de ouvir e enquanto os que falam de Deus gostarem mais de subir ao púlpito do que de sentar-se à mesa para conversar com outros crentes, teremos multidões apostando que só elas estão no caminho certo e que todos os outros caminhos são desvios. Oremos, porque por si mesma, a razão jamais conseguirá se abrir para a luz do outro. Continuaremos achando que Deus acendeu apenas nossa vela, nossa lâmpada, nosso facho e nossa tocha!




