VERDE QUE VALE A PENA!

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Quem cava uma mina de ouro debaixo de um lençol de água sabe que pode haver inundação, mas torce para que não haja. Afinal, aquela riqueza vale o risco! Quem extrai madeira sabe que a devastação da floresta traz danos à região, ao país e ao mundo, mas ele não admite morar no meio daquele ouro verde sem lucrar com ele. Preservar por quê?

A noticia de um desastre ecológico aqui e acolá, como o de agora em Santa Catarina não toca os desmatadores. Dizem que não foram eles. A falta ou excesso de chuva são explicados como fenômeno da natureza que vem de fora e não do que fazemos aqui em baixo. Explicações científicas não valem muito quando alguém corre o risco de ganhar menos, ou quando tem chance de ganhar mais. Porque raciocinar em favor dos outros, quando a riqueza está ali pedindo para ser explorada? Porque não cavar o túnel se a cidade precisa? Se o túnel sofrer deslizamento de terra, culpa-se fatalidade. Depois, a justiça dez anos depois, a justiça decide de quem foi a culpa. Ninguém irá preso ou pagará a conta! Protela-se com recursos. Lamenta-se a tragédia e as vítimas, mas há que se progredir.

É assim o ser humano. Sabe, mas não faz; conhece os riscos, mas arrisca; entende, mas não compreende. De vez em quando a tragédia do outro o comove, mas ele acha que não pode fazer nada. Se todo mundo parasse de cultivar campos e derrubar as matas, só porque há enchentes e deslizamentos, ninguém comeria. Assim se defende.

Dois irmãos e duas irmãs que, por morte de ambos, herdaram duas fazendas do pai e do avô, decidiram, com a anuência da mãe, trilhar um caminho diferente. Visitaram outros países e voltaram da Califórnia com um projeto de irrigação e outro de criação de gado confinado.

Auxiliados por bons agrônomos e pecuaristas brasileiros confinaram as 12 mil cabeças de gado, planejaram o plantio de capim, aprenderam a industrializar parte da ração e usaram 95% do imenso pasto descampado que eram as fazendas para plantio de alimento e de árvores. Custou mais caro criar gado, tiveram que diminuir o plantel, mas acharam compradores. A fazenda voltou a ser verde, as matas renasceram e eles agora olham aquele plantio racional de madeira como contribuição da família para sustar o desmate com o que eles agora chamam de remate, replantio, ressurreição.

Entenderam que era possível ser, ao mesmo tempo, fazendeiro, plantador de verde, produtor de alimentos e criador de gado. Peixes em abundância, gado de qualidade embora um pouco mais caro de se manter, frutas e cereais tornaram as fazendas um modelo de ocupação racional do solo. Dois dos vizinhos pensam fazer o mesmo. Os do outro lado do rio não arriscam. Não pretendem salvar nada a não ser o seu investimento!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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