Amazônia, Amazônia, é proibido queimar!
Amazônia, Amazônia, é proibido matar!
Se os evangélicos e irmãos de outra fé quiserem caminhar conosco sejam bem vindos, mas a Campanha da Fraternidade deste ano conclama os católicos a olharem para o norte do Brasil. Porque para a Amazônia?
Falo como católico que já foi lá inúmeras vezes, mas não conhece nem um centésimo daquela realidade. Já vi irmãos indígenas abandonados, os que perderam familiares para a violência da selva, os túmulos de mártires da terra e da floresta, gente com medo, gente com ódio, aventureiros, povo santo e simples e bom, rios 12 metros abaixo do nível, desmatamento irresponsável, extensas áreas queimadas e devastadas, animais covardemente queimados.
Há uma guerra acontecendo no meio daquele verde e daquelas águas. Há quem queira a Amazônia para si, os que a querem para o mundo e os que a querem viva, preservada e rendendo para o Brasil. Quem a quer para si e a vê como terra de ninguém não tem a menor intenção de desistir das suas conquistas, da mesma forma que os “ conquistadores “ do século XVI não tinham a menor intenção de respeitar qualquer tribo e qualquer tratado, fosse ele qual fosse. Era terra verde, cheia de riquezas e dos nativos é que não seria. Eles nem eram levados em conta na partilha da terra onde já moravam havia séculos.
A Amazônia lembra hoje uma terra invadida por hordas de bárbaros que prometem uma coisa, mas fazem outra: desmatam e devastam o que encontram pela frente. Em alguns casos é destruição intencional e sistemática. O governo não chega lá. Há quem finja não ver, quem veja e não tenha como reagir e há quem não fale e fuja, porque os invasores o marcaram para morrer. E há os mártires que ficam e, se preciso, dão a vida pelo povo e pelo chão. Entre eles há centenas de católicos, a mais recente: Irmã Dorothy.
Nosso olhar pela Amazônia é solidário. Trata-se de uma região presumida e consumida. Nós a queremos assumida. Se nos próximos vinte anos 50 a 100 mil jovens de lá e os que para lá se dirigirem forem com uma visão de quem mais dá do que tira daquela terra, esta Campanha da Fraternidade terá valido a pena. Amazônia, Amazônia! É proibido arrasar!




