Sou sacerdote católico há 43 anos, estudo Prática e Crítica de Comunicação nas Igrejas há 40 anos e constato que estamos fraternalmente divergindo quanto a determinadas práticas e doutrinas, por conta dos enfoques e acentos assumidos. As maneiras de expressar-se como católico estão cada dia mais divergentes e diversificadas. O que ouço e vejo me autoriza a dizer que, no papel, há um só catolicismo, mas na prática, hoje visível na mídia e em alguns lugares de devoção, há vários catolicismos. Alguns deles quase irreconhecíveis. Até na missa, que deveria ser sacramento da nossa unidade percebem-se as diferenças.
Se isto é bom ou mau, quem deve dizê-lo é o Papa e seus irmãos bispos a quem coadjuvamos o que, aliás, já foi dito em inúmeros documentos oficiais da Santa Sé e das Conferências Episcopais. Quem leu o Catecismo (CIC) e fez cursos de catequese sabe que os enfoques e acentos podem levar multidões numa direção que nem sempre casa com os documentos oficiais da nossa fé. Línguas, milagres, curas, maldições, anjos, santos, Maria, exorcismos, demônios, objetos de devoção, intercessão, vocabulários, missas, canções, revelações, aparições, pregadores e pregações, aceitação dos Concílios ou das Conferências Episcopais, unção, piedade, liturgia, pietismo, doutrinas sociais, abertura, fechamento, isolamento, proselitismo ao interno da Igreja, vidência, evidência… Tudo aponta para caminhos não exatamente iguais, não exatamente no mesmo trajeto, não exatamente coligados.
É como termos, todos, uma bússola que aponta para o Norte da fé católica que é Jesus e este crucificado, por nós imolado e ressuscitado, mas cada grupo traçar o seu caminho que nem sempre vai para lá em linha reta. Há práticas questionáveis e digas de interrogações e de reparos. Raramente um grupo ou uma linha aceita que o seu caminho seja digno de revisão e de reparo. O dos outros, sim! A correção fraterna nada me baixa na nossa Igreja. Temos facilidade em ver os desvios dos outros e dificuldade imensa em admitir os nossos.
Assista a uma celebração coletiva de católicos e observe quem se mistura e quem se isola. Percorra os templos e veja quem conduz a liturgia daquele dia. Preste atenção às letras dos cantos e verá quais os acentos escolhidos pelo grupo de cantores. Observe os trajes de sacerdotes e leigos e veja se eles ajudam o impedem o diálogo. Abra os manuais de devoção de cada grupo, leia as orações e veja quais os enfoques daqueles irmãos. Foi o que fiz e o que me levou a concluir que não acentuamos as mesmas verdades nem do mesmo jeito. Somos todos católicos, mas não oramos, nem cantamos, nem abordamos nem acentuamos os mesmos temas. Se é bom, o tempo o dirá. Os documentos já falaram. Leia os principais documentos sobre a Eucaristia, Liturgia e Catequese das últimas três décadas. Nem sempre foram obedecidos. Em alguns casos, visíveis na televisão, é como se nunca tivessem sido escritos!




