Sou sacerdote e pregador católico. O fato de ser professor de Comunicação há quase 30 anos me levou a procurar as expressões mais corretas quando falo ao povo de Deus. De alguma bênção ou frase dúbia pode nascer uma fé dúbia. Expressar-nos com a máxima clareza, mais do que conselho, é nosso dever quando lideramos o povo.
É a razão pela qual no Natal não mais oro pelas “mais ricas bênçãos do Menino Jesus.” É que Jesus não é mais menino. Cresceu e morreu na cruz, ressuscitou, elevou-se, está no pai e virá adulto no segundo advento. Assim cremos, não há nem haverá mais Menino Jesus. Então eu oro e acentuo: “Ó Jesus que um foste menino”… Meu Natal fica bem mais claro. É memória.
Não falo com imagens. Nem dou a bênção trinitária com a imagem de Maria. Apenas elevo-a. Ela não az parte da Trindade. Uso, porém, o crucifixo, sempre como símbolo e sabendo que aquela cruz não é Jesus. Falo perto das imagens, de olhos fechados ou dirigidos para algum lugar vago, porque sei que, nem Cristo nem santo algum está naquelas imagens. Gosto delas, mas são lembranças do passado que nos ajudam a pensar no presente. Lembram a serpente de bronze que ajudava os hebreus mordidos por serpentes do deserto a pensar em Deus. Deus não era aquela cobra e nem estava nela. (Num 21,7-8) Mas quando no reino de Ezequias ela foi adorada como deus sob o nome de Neustan, Exequias a destruiu. (2 Rs 18,4) Perdera a sua finalidade. Fora transformada em ídolo. Uso imagens, mas não lhes atribuo maior poder que realmente possuem. São simbólicas. Trato da mesma forma as relíquias de um santo. Respeito-as porque estiveram perto de alguém que Jesus santificou e hoje está no céu. Trato-as como ao manto de Jesus. (Lc 7,50) Aquela mulher que tocou com fé foi curada, outros não. Jesus mesmo disse isso. Soube de pessoas que se curaram tocando alguma relíquia. Disse a elas o que Jesus disse àquela mulher: Tua fé te salvou. Não foi a relíquia. Mas elas têm sua finalidade.
Na Eucaristia, sim, creio que ele se faz presente. Ali eu contemplo pão e vinho transubstanciados e falo olhando para eles por crer que não se trata apenas de símbolo. É o próprio mistério da fé. Não faz muito tempo num grande átrio, nave da Igreja lotada, fui até à imagem de Maria, toquei-a e disse: Maria não está aqui. Esta imagem não é Maria. Fui para o outro lado perto da imagem de São Miguel e disse: São Miguel não está aqui. Creio em anjos. Miguel está no céu. Fui, então para o sacrário, apontei para ele e disse: Jesus está aqui. Esta, é a diferença. Aqueles são símbolos que apontam para pessoas santas. Este é sinal de presença real. As palmas do povo mostraram que eles também pensavam dessa forma.
Na oro ao “Cristo crucificado e a morrer” e sim ao Cristo “que morreu crucificado, mas ressuscitou”. As imagens de dor me lembram o passado dele e o presente do mundo. Quis e sofre! Mas distingo muito bem entre o Cristo ontem, hoje e sempre. O povo diz que fica bem mais claro!




