O excelente, misericordioso e profundo trabalho exercido pela APAC volta a chamar a atenção dos católicos através do livro De Mario Ottoboni e Valdeci Antonio Ferreira Parceiros da ressurreição Tem a ver com o trabalho de ressuscitar corações mortos ou em agonia espiritual.
Poucos católicos sabem desse lado desafiador e perdoador da Igreja. O de ressuscitar corações que não mais acreditavam em nenhuma saída. Alguns até, incentivados por vozes exaltadas na mídia, preferem mais o revide e a agressão do que a tentativa de compreender e reintegrar quem errou. Perdoar nunca foi fácil e nunca será. Recentemente, um comentarista de rádio sugeria que “feras, monstros e bandidos fossem trancafiados sem regalia alguma e que se voltassem a ameaçar, alguém se livrasse deles.” Disse e foi aplaudido. Não foi o único, nem será o último. Também o irmão certinho do filho pródigo se rebelou contra o perdão do pai ao irmão que se arrependera. Lc 15,11) Somos mais propensos ao revide e à vingança do que ao perdão, exceto se quem errou for da nossa família!
A parábola do filho perdoado e do irmão que não admitia que ele fosse perdoado, mais palavras e atitudes do próprio Jesus que morreu orando pelos que o crucificaram sugerem uma revolução dentro da pessoa ferida e na comunidade. Perdoar é como remoer as entranhas e por pra fora o que ficou encalacrado lá dentro. Pedir perdão é como virar do avesso e mudar de vida. Paulo errou, usando de violência; Moisés matou e mandou matar; Davi errou demais, mas mudaram de vida e, desde a sua conversão, só fizeram o bem. Deus disse que perdoa e Jesus disse que devemos perdoar.
É nesse perdão difícil de dar e de pedir que a APAC se assenta. Seus agentes aceitaram o risco de se misturarem aos prisioneiros e re-educandos. Risco, porque entre os sentenciados, um ou dois deles podem não aceitar aquele perdão amigo. Não se consideram errados. Aconteceu com bispos e cardeais, com jovens, com casais e advogados católicos. Franz de Castro Holzwarth, jovem advogado católico, morreu entre as balas da policia e dos bandidos, enquanto tentava criar diálogo. Ele sabia do risco que corria. Uma das primeiras balas foi contra quem queria conversa. Aquilo foi amor. Ninguém tem maior amor (Jo 15,13) do que quem dá a vida pelos amigos, mais ainda, quem morre para salvar um homem tido e tratado como bandido e assassino. Entre os cristãos que a APAC gerou e nutriu, há santos. Sua maior virtude: o perdão que re-educa.
Poderiam ter ficado quietos em suas casas, mas Deus os tirou de lá e os jogou neste caminho que certamente leva para o céu. (Mt 25,31-46) Um deles uma vez me disse: – Nós somos bandidos, padre. Aqui tem gente que nunca vai se converter. Um deles pode estragar tudo, enfiando uma faca no pregador que o visita. Porque essa gente vem aqui?
Lembrei do Dr.Mario Ottoboni, do “Cristo a pé na Dutra”, “Cristo chorou no cárcere”, “O mártir do Cárcere”, de seus outros livros cheios de espiritualidade libertadora e perdoadora, de suas palestras, de suas visitas aos encarcerados, de seu amor pelos re-educandos, das chances que lhes dava e dá, há quase 40 anos, das decepções que sofreu e superou, da fé que sempre teve com os seus companheiros. E disse a mim mesmo: ” A depender de quem fala, as portas do cárcere podem ser as do inferno ou as do céu” “Um erro na vida não é nem pode ser considerado uma vida de erros”. Deus tem misericórdia suficiente para amolecer um coração de pedra. Há cristãos transformando as portas do cárcere em portas do céu, porque levam para lá a fraternidade, a esperança e o desejo de voltar para Deus.
Recomendo a quem quer conhecer um trabalho católico cheio de alma e de conteúdo, que leia este novo livro: Parceiros da Ressurreição. Vem cheio de misericórdia! Mais: Jesus garante que é um dos caminhos seguros para alguém ganhar o céu! Torne a ler Mateus 25,31-46…




