Depois de 50 séculos de história, finalmente a natureza foi domesticada: ares, mares, profundezas, elementos… O homem já sabe extrair quase tudo da mãe Terra. Mas ainda não aprendeu a devolver e a repor o que tirou. Tornou-se mais guerreiro e terrorista, mais cidadão e mais selvagem, mais coisificado e mais coisificador, mais humano mais bestializado e tudo isso em macro-escala. Já viu o tamanho das serras e das escavadeiras?
A tecnologia o pôs na lua e a quilômetros no fundo do mar em busca de petróleo e minérios. A técnica se aprimorou e a liberdade diminuiu. Aumentou sua capacidade de criar riquezas e, com ela, a capacidade de se corromper e corromper, de roubar e desviar parte das riquezas para seu grupo de poder. Criou uma sociedade na qual tudo parece permitido, mas onde quase tudo é cerceado, porque sobre quase tudo é colocado um preço em favor de quem detém o poder. Quem domina a tecnologia, a política e os preços, quase sempre também domina a informação…
Portões, alarmes, cadeados, câmeras e guardas proíbem e permitem, mas nenhuma proteção protege. Os hackers entram onde querem, os ladrões assaltam até quartéis armados até os dentes. Refinou-se a estratégia da infiltração Vivemos vigiados por câmeras em toda parte, mas alguém tem nossos cadastros, nosso telefone e tudo o que considerávamos secreto. A privacidade desapareceu e a ordem do dia é a super exposição, a invasão e a evasão da privacidade.
Por toda a parte liberta-se em nome de Deus, mas também domestica-se em nome dele. No tempo de Mao-Ze- Dong, homem responsável pela morte de mais de 70 milhões de pessoas, erguiam-se os livrinhos vermelhos do líder da nação; hoje erguem-se posters do líder máximo, livros do pregador famoso ou Bíblias de determinada igreja e só dela! Todos obedecem ao comando de chorar, fechar os olhos, franzir a testa e emocionar-se na esperança de que Deus ouça seus clamores. Está tudo dominado em nome da liberdade.
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Jesus mandava tomar cuidado com quem falasse em seu nome ou dissesse saber seu endereço. Chamava a atenção para o costume pagão de usar de muitas palavras para falar com Deus. Deixou claro que só proclamar o nome do Senhor e pagar o dízimo religiosamente não era garantia de salvação. Continua não sendo ouvido, nem por quem prega, nem por quem ouve. Multiplicam-se os holofotes sobre o pregador enquanto os caminhos prosseguem mal iluminados!…
Não contentes de mostrar seus rostos que poderiam ocupar não mais do que quatro centímetros na orelhas de algum livro, alguns pregadores vítimas voluntárias do marketing moderno, enchem toda a página, põe seus rostos em imensos painéis atrás de seus púlpitos, e ás vezes, até do altar onde presidem as preces. E dizem que querem ensinar a louvar a Deus acima de tudo.
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As igrejas tornaram-se mais centros de difusão dos pregadores do que do Cristo que anunciam. Por horas e horas as câmeras passeiam sobre o pregador que fala sobre Jesus. Tem que ser assim? Com a modernidade e a facilidade de se conseguir imagens, não poderiam elas passear mais tempo pelos rostos do povo de Deus enquanto o pregador fala?
As imagens de santos foram banidas em muitos templos, mas o lugar delas foi ocupado pela onipresente imagem do pregador. Conseguirão os pregadores da fé vencer a armadilha que os leva a capitalizar na própria imagem?…




