O esperto filósofo grego Zenão de Eléia (500 AC) tido como o pai da dialética, tornou-se conhecido pelos seus paradoxos. Mostrava como se pode raciocinar errado, ensinar errado e, contudo, dar a impressão de se estar falando a verdade. Na falta de um elemento importante, toda uma verdade fica prejudicada, e descamba para a mentira, embora continue parecendo verdade.
Raciocinando propositadamente errado, ele questionava seus alunos, para que aprendesse a não engolir qualquer conversa tida como científica. Deveriam questionar e descobrir a veracidade de qualquer afirmação que ouvissem.
Famosos são os paradoxos da tartaruga e da flecha. Uma tartaruga poderia vencer Aquiles, o maior corredor da Grécia. Se ela começasse antes, Aquiles jamais a alcançaria. Enquanto a tartaruga estivesse na metade do caminho, Aquiles também estaria na metade. Quando a tartaruga chegasse a ¾ da corrida, Aquiles estaria também a ¾ do caminho. Aquiles nunca alcançaria a tartaruga, porque estaria percorrendo as mesmas etapas que ela e ela estaria sempre um pouco adiante dele.
Raciocinando apenas sobre espaço, e tempo, soma divisão e subdivisão ele intencionalmente ignorou as leis do movimento e da velocidade, que fazem toda a diferença. Quem não fosse mais adiante no raciocínio engoliria uma falsa verdade. “Uma tartaruga corre tanto quanto o Aquiles.”
Disse o mesmo a respeito da uma flecha. Se um corpo ocupa um espaço igual ao seu tamanho, ele está em repouso. Se uma flecha ocupa um espaço igual ao seu tamanho, ela está em repouso a cada momento e a cada novo espaço. Logo, ela está em repouso durante toda a duração do seu vôo, porque estará em repouso a cada novo espaço igual ao seu tamanho. Conclusão: a flecha que voa está parada. Privilegiando a lei do repouso, o raciocínio ignorou as leis do movimento.
A habilidade de explorar apenas um aspecto da questão, ou de citar apenas algumas passagens da Bíblia, ignorando as outras já levou muitos pregadores sofistas a enganar os fiéis que, não lendo as outras passagens, ou sendo levados a ler errado também as outras passagens, apostam numa mentira que parece verdade.




