PREGADORES E LIVROS

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Digo muitas vezes em aula e repito nestas páginas: Pregador (prae-dicator) é quem prae-dicet: diz na frente dos outros. Sua função é a de entregar o recado que outro escreveu. Muito mais do que suas idéias pessoais e historinhas simpáticas sobre sua infância em família, dos valores do seu pai e da sua mãe que o formaram, cabe ao pregador, como porta-voz que tem um determinado público, entregar ao povo a catequese oficial da Igreja, explicar a Bíblia, levar ao conhecimento dos fiéis os documentos da Igreja. O quanto menos falar de si, mais eficaz será como pregador. “Eu” demais será sempre Deus de menos na pregação. Além do que, a Igreja tem milhares de santos para servirem de exemplo. A vida deles deve ser mais conhecida do que a do pregador simpático e querido. Se puder falar dos seus pais sem falar de si mesmo, siga em frente. Se, no fundo, ao falar de seus pais está é falando de si, tome cuidado com a auto-exposição. Quase nunca dá certo! Cuidado imenso com a expressão : “eu me converti”! A primeira coisa que um verdadeiro convertido faz é falar pouco de si mesmo e muito de Jesus e dos santos. Paulo falou pouco da própria conversão. Pelo volume do que escreveu é admirável que tenha falado quase nada sobre sua conversão e quando o fez foi para mostrar que era o último dos apóstolos.(1 Cor 4,9) (1 Cor 15,9)

Pobre da diocese ou a Igreja cujos pregadores ignoram os pensadores da fé: papa, bispos, teólogos, liturgistas, historiadores, psicólogos, antropólogos, canonistas, sociólogos e especialistas aos quais a Igreja chama de licenciados ou mestres. Paulo os lista depois dos apóstolos e dos profetas (1Cor12,28)

E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Onde ele situaria o tipo de pregador moderno de mídia ou os que reúnem multidões para levá-la a louvar? É doutor? É profeta? É mestre? É pensador ou é animador? Como você os classificaria a partir do que pregam e ensinam?

Pobre da igreja cujos pregadores odeiam livros e raramente conseguem ler mais do que dois ou três por ano. Pregarão o de sempre, do mesmo jeito, com as mesmas palavras e, na falta de assunto, fará orar e cantar, repetirão tudo e certamente falarão de si mesmos.

A nenhum pregador é facultado por questão de ética e de moral pregar apenas o que sente e o que gosta. Ele é um afixador de cartazes atualizados, um arauto, um porta-voz. Deveria ser. Muitos grandes pregadores do passado conheciam teologia. As multidões iam lá para beber da sua sabedoria. Outros pregavam apenas a indulgências ou coletavam fundos, como foi a questão que cindiu mais uma vez o cristianismo, a partir do protesto de Lutero.

Um grande número de pregadores de hoje, nas mais diversas igrejas sabe pouca teologia. Posso citar muitos da nossa Igreja que admitem não ter lido ainda o Catecismo (CIC) ou a Bíblia por inteiro. Nas suas estantes há poucos livros de teologia, história, psicologia e sociologia. E se há, num momento de verdade, admitem que não leram, porque não são de ler. Grande número deles não assina revistas especializadas de teologia, de missão ou de catequese, não entra no site do Vaticano e não lê L´Osservatore Romano que tem edição semanal em português com noticias e comentários atuais sobre a visão dos católicos. A quem pretendem enganar? Se não sabem o que sua igreja está dizendo, como pretendem proclamar-se pregadores da fé católica?

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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