PARA ALÉM DAS PAREDES

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Os fatos estão aí. Não acontece apenas com os católicos. Padres, nome que supõe paternidade e pastores, nome que supõe cuidado, enfrentam a mesma realidade. Estamos cada vez mais falando para as paredes. Os fiéis ficam uma hora e meia conosco, ouvem nosso sermão de vinte a trinta minutos, mas, depois, vêem mais de quinze horas de televisão e ouvem algumas outras de rádio. Quem mais lhes fala, em geral não pensa como cristão. O catecismo deles faz mais adeptos.

Não admira que acabem escolhendo o caminho do mundo e não o das igrejas. Os que nos seguem pela televisão também bifurcam seus caminhos na hora de decidir. São cristãos pragmáticos. Do templo ou da mídia cristã, ficam com o que lhes agrada e é possível seguir. Depois, se tiverem que fazer laqueadura, vasectomia, aborto, ou se a pessoa que amam já tiver sido casada, optam pelos conselhos dos outros. Concordam de imediato com o doutor que picha a igreja, ou com a simpática apresentadora ou colunista que apóia o aborto e o casamento entre gays.

Em toda parte ouve-se dos novos epicureus e estóicos, em novos areópagos do mundo, a irônica observação feita a Paulo em Atos 17,32: “acerca desse assunto te ouviremos outra vez”. Chamaram Paulo de paroleiro e falastrão. Agora, desmoralizam ou tentam calar as igrejas que defendem o embrião, o feto, os pobres, a vida. Como novos epicureus e estóicos, escolheram encarar a vida de maneira enigmática, a própria morte de maneira dramática e a morte dos outros, a começar do feto, de maneira pragmática. Escolhem a vida ou a morte que mais lhes convém. Querem o direito de decidir quem deve nascer ou morrer e, ainda de quebra, querem o Estado pagando as despesas. A morte do pequeno “outro” que se formava naquele ventre não lhes causa remorso. Declaram pragmaticamente, que ele ainda não tinha todas as características de ser humano, então não era nem filho, nem humano. Extraem-no como se extrai um tumor incômodo e maligno. Se algo os atrapalha, tiram-no do caminho…

A este tipo de sociedade, os documentos da Igreja chamam de civilização de morte. Sou pregador cristão e continuarei pregando, se preciso for, para as paredes. Algum dos meus gritos talvez ribombe e reboe em alguma consciência. Calar, porém, não é possível!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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