Ser preciso e cuidadoso nas palavras é uma obrigação de quem prega, escreve ou conduz o povo. Por mais cuidadosos que sejamos, podemos errar e erramos. Pior ainda, quando a pessoa não se importa de preparar o que diz e, então, fala ao sabor do momento. E alguns ainda caluniam o Espírito Santo, dizendo que foi ele quem mandou dizer aquilo…
Foi o que aconteceu com aquela jornalista de algum lugar interior que, escrevendo uma matéria sobre os santos venerados pelos católicos, descartou tudo o que o teólogo dissera sobre veneração e adoração e saiu-se com duas gafes comprometedoras: – O teólogo disse que a questão dos santos é uma questão venérea, e que o culto de idolatria se refere a Deus.
Outro jornalista de revista grande e conceituada, entrevistando um padre, conhecido como bom e criterioso catequista, sobre o porquê dos novos santos canonizados pelo papa, ouviu do padre a frase: – A Igreja precisa de heróis e modelos da fé, tanto quanto um país precisa de modelos e de heróis da pátria, para motivar a cidadania. O jornalista assim se expressou: – O padre afirma que a Igreja precisa de ídolos para motivar o povo, por isso cultiva a adoração dos santos. O estrago foi avassalador. O padre foi chamado pelo bispo. Felizmente, havia gravado a entrevista. A revista não se retratou. Foi preciso a diocese explicar, na rádio e no jornal diocesano, o que realmente fora dito. Naquela cidade agora se sabe que a tal revista famosa deturpa gravemente os entrevistados. Acabou a admiração pela revista. Diminuiu o número de assinantes.
Pior fez o padre que, um pouco antes do Pai Nosso, disse que Jesus estava lhe dizendo que satanás estava, naquela missa, tentando gravemente uma pessoa da assembléia. Ninguém se manifestou. Ele, então invocou a presença de São Miguel Arcanjo para que, com a sua espada luminosa, que expulsou Lúcifer do Paraíso Celeste, expulsasse aquele demônio.
alavras imaturas, a) primeiro, porque não é permitido interromper uma missa para trazer revelações particulares de quem quer que seja. b) falou de maneira vaga, sem provar que realmente alguém ali estava possesso. Abusou da boa fé do povo c) falou, sem provar, que Jesus realmente lhe falara d) chamou São Miguel, um arcanjo para salvar alguém, que supostamente estava sendo tentado por um suposto demônio, quando, segundo a nossa fé, Jesus já estava ali no altar. Por acaso Jesus tem menos poder do que Miguel Arcanjo? Tendo Jesus ao lado, será preciso chamar um anjo com sua espada luminosa?
Outro, radialista, após entrevistar um psiquiatra, que com uma equipe da Universidade estudava o drama da pedofilia na internet e tratava pessoas na sua clínica, disse: – Acabamos de entrevistar o psiquiatra e pedófilo Doutor Soares. O psiquiatra pediu meia hora para explicar o que significavam as palavras pediatra, pedófilo, pedagogo. Mas o mal estava feito. O dono da emissora despediu o apresentador pedindo desculpas pelo acontecido. Palavras fáceis e bonitas nem sempre são corretamente usadas.
Convém que pregadores, jornalistas e pessoas que falam ao povo tenham um dicionário por perto. Uma palavra mal usada pode prejudicar meses de trabalho e até a reputação das pessoas. Quem acha que Deus sopra todas as palavras, enganou-se. Ele também abençoou quem escreveu os dicionários e as gramáticas. É questão de consultá-los e anotar o que se vai dizer e o que o outro disse. Dizem que improviso rima com falta de juízo. Na maioria das vezes, rima!




