Senadores, deputados, prefeitos, cantores e cantoras da fé, sacerdotes católicos e reverendos nos mais diversos recantos do país, ao me reconhecerem, falam das canções, dos livros e artigos meus que os desafiaram e ajudaram na decisão de seguir o caminho que hoje trilham. Foram 42 anos insistindo no diálogo, na democracia e no desafio de reconhecer os valores dos outros e, se diferença houver, que seja sem discórdia e sem falar demais.
Fui criado e formado nessa escola de “presença moderada na mídia e palavra serena e forte”. Se aprendi, não sei, mas foi isso que me transmitiram. Ensinaram-me a dizer o que pensamos e deixar que o outro diga o que pensa, a silenciar em caso de impasse ou de evidente chantagem. Aprendi que a ditadura ou a agressão do outro lado não pode ser respondida com ódio e violência. Há que haver métodos mais pacifistas para se enfrentar um homem ou um grupo que deseja ser o dono da nação. Aprendi que palavras violentas explodem os outros e implodem quem as usa e que, em geral são seguidas de armas ainda mais violentas. Grupos incapazes de aceitar oposição sejam no cenário político ou religioso acabam todos na pancadaria ou na repressão contra quem ousa discordar.
esus dialogou sempre, mas falou pouco diante de Pilatos (Mt 27,2-22) e silenciou diante de Herodes que o ridicularizava (Lc 23,8-12).
O que cantei, falei, escrevi e passei adiante nessas quatro décadas foi sempre claro. Quem sonha ser líder e formador de opinião num país multifacético e cheio de diferenças como é o nosso, tem que ser um aproximador e terá que ouvir primeiro os outros para depois falar. Mas não pode ter medo de discordar de irmãos, por mais queridos que sejam. Se errar aceite ser corrigido, mas se o outro for longe demais não hesite em lhe fazer perguntas. Porque fez ou disse o que fez e disse?
A palavra sincera dói, mas, liberta. A palavra falsa cria seitas e sectários que não aceitam ouvir os outros. Agem como quem sabe tudo porque Deus os escolheu para saberem tudo. Fala-se para perdoar, pedir perdão, refletir, explicar, incentivar e discordar; nunca para destruir, diminuir ou chantagear os outros.
Nesse caso é melhor o silêncio sereno, posto que também exista o silêncio belicoso, casmurro, turrão e vingativo. Brinco com os amigos que escolheram viver da palavra, ao perguntar se ela está doendo… Todos admitem que doa o falar e dói o silencio. É sinal que entenderam.
Pregador ou político que não fala, quando deveria que falar erra gravemente. Se fala, quando deveria se calar também erra. Erram ainda os que sobem demais ao púlpito ou à tribuna. Nunca saberão se sua presença excessiva diante das câmeras é zelo ou exibicionismo, sobretudo se procuraram aquela evidência. Eles sabem se foram convidados ou se procuraram aquelas luzes.
Continuo cantando e pregando que isso de anunciar a palavra certa do jeito certo, na hora certa e para pessoa certa é uma graça maior. Bons políticos e bons pregadores conhecem a justa dose. Nem demais e nem de menos!




