Livros como História Geral de Deus, ou História Geral do Diabo de Gerald Messadié, História de Deus ou Em Nome de Deus de Karen Armstrong, e pelo menos uma centena de outros livros e autores prestam enorme serviço aos cristãos que desejam refletir sobre a história do púlpito e de quem os ocupou através dos tempos. Ontem eles gritavam de telhados, de alpendres e de torres que Deus os enviara. Hoje como ontem, mas com muito maior repercussão, gritam em altos brados, escrevem, choram ou sussurram de maneira persuasiva pelo rádio, pela internet, pela televisão que eles são agora os novos porta-vozes do céu. Hoje como ontem milhões os seguem.
Resultado desses pregadores, alguns fiéis por eles convertidos aproximam-se de você e dizem sem medo algum de serem questionados: – Jesus me disse, Jesus está me dizendo que você deve fazer isso mais isso e mais aquilo. Ele pediu que ergamos esta obra para Ele. Não sentem o ônus da prova.
Consideram-se chamados a dar um recado de Jesus e pensam poder dispensar as credenciais e a palavra da Igreja. Dizem que Jesus falou pessoalmente com eles. E esperam que lhes demos crédito. Usam o nome de Deus sem prova alguma, e quando exigimos provas acusam-nos de perseguidores e inimigos da obra de Deus; isto é: da obra deles.
A Igreja tem uma longa tradição de não acreditar na maioria dos videntes porque distingue entre o vidente e o que ele diz ter visto. Em tese não haveria vidente sem aparição, mas é o que mais soe acontecer. Anunciam o que não houve e ouviram o que não foi dito. Nas muitas vezes em que a Igreja acreditou sem muito critério, pagou um altíssimo preço por se ter deixado levar por alguém que se dizia porta-voz de Cristo, mas não era. Quando foi verdade, os acontecimentos mais tarde se encarregaram de provar o acerto de suas profecias. A Igreja aceita que o tenha falado a muitos santos, mas não aceitou os recados de milhares de outros videntes. De cada mil, mandou desconfiar de novecentos e noventa senão mais!
Temos o legítimo direito de questioná-los. Quem diz que tem um recado novo de Jesus, corra o risco da afirmação que faz. A verdade é que quem duvida e quer provas está muito mais perto de Jesus que nos alertou contra eles e mandou questioná-los. (Mt 24, 23-28). Com o advento da mídia para milhões está fácil demais proclamar-se vidente e ouvinte do Cristo. Quase ninguém os questiona. Comecemos a exigir que provem o que dizem e o número de videntes baixará drasticamente em todas as igrejas. Talvez seja hora de fazê-lo.




