O SERMÃO DE SEMPRE

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A repetição bem utilizada costuma gerar excelentes efeitos pedagógicos. Seria, pois, injusto e imaturo criticar a oração do rosário, o uso de palavras chaves nos encontros e movimentos de Igreja ou o repassar de temas que devem ser lembrados com freqüência. Repetir faz parte da catequese e da vida.

Quem ama declara e demonstra o seu amor de muitas maneiras, às vezes repetindo as mesmas palavras. Há sobremesas e doces que repetimos de bom gosto porque queremos o seu sabor. Há palavras que repetimos porque queremos que sejam ouvidas, Há outras que gostamos de ouvir e até oramos juntos porque elas nos ajudam a meditar melhor.

Outras religiões também repetem seus mantras e suas invocações na masbaha, Cantores repetem show após shows as suas canções mais conhecidas. Locutores repetem as mesmas frases características da sua emissora. A televisão repete 50 a cem vezes por dia a propaganda de algum produto. Trata-se da mesma mensagem repetida, mas o povo aceita à espera do próximo segmento do programa.

Não está tudo errado com a repetição. Quando, então começa o erro do pregador ou do fiel que repete as mesmas idéias, a mesma prece, as mesmas palavras, o mesmo maabaramalamaialama que supostamente é o som do dom de línguas por ele recebido? Quando há erro no mesmo comando de fechar os olhos, levar a mão ao peito, tocar a mão do outro erguer as mãos e louvar?

Quando a repetição deixa de ser pedagógica e envereda pela mesmice? Quando não é progressiva e não traz elementos novos, num claro sinal de que o pregador ou o animador do grupo ou da multidão não leu nem estudou mais nada, desde o último encontro. Não está repercutindo a doutrina da Igreja. Repete, mas não repercute. Não cantou um canto novo nem evoluiu. E não evoluirá porque não lê e não se serve das luzes que Deus dá aos outros irmãos na fé. Faz meses que ele ou ela falam sempre as mesmas coisas. Apenas trocam de auditório, mas na televisão sai a mesma cantilena.

Quando com um sorriso nos lábios os fiéis mudam de templo, ou aceitam ir à missa das 9,30h sabendo de antemão o que o pregador dirá e como dirá, é sinal de que o pregador não está se aprofundando no pensar da Igreja. Quando até os adolescentes o imitam apostando antes da missa quantas vezes ele dirá as mesmas palavras, estamos diante de um irmão ou se for animadora de televisão ou rádio, de uma irmã que por falta de leituras acorrentou-se às palavras de sempre.

Grave alguns programas de rádio e televisão e depois analise as palavras e as expressões do animador, da animadora ou do padre. Grave os sermões e perceberá quem evoluiu e quem apenas repete. O repetir pode ser bom, desde que não afete o repercutir da fé!

Se você prega mande gravar dez de seus programas ou sermões e veja se não está se repetindo por repetir! Inclua nessa pesquisa o rosário. Ele pode ser repetido sem ser repetitivo. Depende de quem o conduz!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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