O FENÔMENO DO PREGADOR MIDIÁTICO

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O tema é relativamente novo para ser analisado na sua devida extensão. Há vários sacerdotes artistas no mundo, muitos deles no Brasil. Antes que alguém os condene é bom saber por que estão lá, o que dizem e que tipo de catequese querem transmitir, porque este é o cerne da questão: por que estão lá e para que vão lá.
Diga-se mesmo daquele leigo que todos os dias evangeliza no rádio ou na televisão. Que doutrinas ele transmite? Quais os seus enfoques, ou tem ele apenas um: o do seu movimento? Falando a milhões de católicos, abre-se ele para os outros carismas de outros movimentos, ou tudo o que ele diz enclausura-se no seu lindo e maravilhoso movimento? Franciscanos devem o tempo todo falar de Francisco e de Clara? Beneditinos devem o tempo todo falar de São Bento? Devem os jesuítas falar o tempo todo de Santo Inácio? Seus vocábulos trairão sua filiação total à sua ordem, ou ela serve como plataforma para que voem e mergulhem nos outros mistérios da fé e da Igreja?
O nascer de um novo ministério?
Talvez sejamos espectadores do nascer de um novo tipo de sacerdote ou leigo católico: o sacerdote ou catequista midiático, que não tem medo de se expor aos olhos de milhões de pessoas, via rádio, televisão ou Internet. No passado houve muitos que se aventuraram pela mídia, mas em pequena escala, esporadicamente, sem grande exposição.

A Igreja assiste hoje ao nascer de uma nova experiência, vivida também pelo Papa João Paulo II. Ele soube, como ninguém, fazer uso da mídia.

João Paulo II foi à mídia sem fazer média. Disse o que queria dizer enquanto a mídia o mostrava a um determinado país ou ao mundo. Não trepidou nem fez discursos light! Não fez o jogo da mídia. Falou o que achou que deveria, com ela ou sem ela presente. Mas valorizou a mídia que respeita o entrevistado e que se abre para os pequenos e os sem voz.

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No Brasil, a presença dos padres na mídia por enquanto continua um caminho experimental. Não são mais de 100 os sacerdotes com presença marcante e constante na mídia regional e nacional. Há muitos mais e há muitas vocações para o ministério junto aos meios. Devem ser incentivados, desde que não caiam no narcisismo, no estrelismo e num marketing onde tudo convirja para eles.

Os que hoje repercutem terão que provar, com seus atos e com seu conhecimento e cultura que estão no lugar certo e que são pessoas talhadas para a missão. Não é um caminho fácil para um sacerdote. Hoje, a mídia traz fama, dinheiro, protagonismo. Ela vende o personagem. Alguns acabam por necessitar de guarda-costas. A vaidade é uma terrível tentação. Facilmente se esquece da razão pela qual se vai à mídia. Quem não rasga suas vestes como fizeram Paulo e Barnabé ( At 14,14) ao sentirem-se adorados e idolatrados, quem não pede que desviem dele os holofotes e aceita o jogo da mídia que vende a pessoa para vender seus livros e discos, montou em cavalo xucro. A mídia tem vida própria e está sujeita às leis de mercado, de audiência e de sobrevivência. É mais fácil o pregador se dobrar a ela do que ela se dobrar ao pregador.

MINISTÉRIO MIDIÁTICO

Um dia, talvez, os bispos criem este ministério e nomeiem sacerdotes para esta função altamente sacerdotal, como hoje se nomeia o exorcista, mas terá que haver regras, exame de competência e, pelo menos a cada cinco anos, um exame de universa para que exerçam lá o seu mestrado.

Falar para tanta gente e expor a própria imagem todos os dias para mais de 30 milhões de católicos equivale à função de professor universitário. Você não põe para lecionar a pessoas de grande cultura e, ao mesmo tempo a pessoas simples, um catequista que não demonstra cultura, leitura e preparo adequado. Unção é critério, mas não pode ser critério abrangente. Repito e insisto: Unção é critério, mas não pode ser critério abrangente.

Prevejo exames e cursos exigentes para quem um dia se exporá diariamente na mídia. E não vai demorar vinte anos. Os bispos sabem como este assunto é delicado. Um dia, eles legislarão a respeito desta forma de catequese. Por enquanto, porém, reina o amadorismo. Vai lá quem quer ir e acha o seu espaço. Mas quem viver verá uma igreja mais criteriosa na escolha de seus pregadores de rádio e de televisão. Eu aposto nesta solução, antes que a catequese morra à míngua nos lábios de quem não lê, não estuda e não cursa as matérias urgentes e necessárias para esta missão.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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