Pode haver fé sem milagres. Alguém pode crer, mesmo sem ver ou sem perceber os sinais. Foi o que Jesus disse a Tomé, dando a entender que existe maneira melhor de crer: a dos que, mesmo não tendo visto seus sinais, aceitaram sua doutrina (Jo 20,29)!
Pregadores há, e sempre houve, cuja ênfase é o milagre. É um direito que lhes compete. Se eu tenho a minha, porque não terem eles a sua? Precisam mostrá-lo e chamá-lo e o fiel precisa ver para crer. Com eles, o milagre não é um meio: é um fim. Buscam-no em todos os encontros e incentivam os fiéis a buscá-los. Organizam e efetuam uma vez por semana um culto de cura!… Entre centenas, lembro-me de um em especial. Sua voz se eleva e se exalta, todos oram em línguas e ele grita para que orem mais alto. Atinge-se um clímax. Começa, então, a desfilar todos os milagres que Deus está realizando naquela hora, ali mesmo, na assembléia e lá fora, entre os telespectadores.
É enorme a lista de milagres que ele, o taumaturgo recita todas as semanas e que garante ele, acontecem em algum lugar do mundo aonde chega a sua mensagem. São mais de sessenta. Contei-os por três semanas seguidas. Sua pregação poderia chamar-se “show de curas e milagres”, nunca nenhum deles comprovado por junta médica.
É evidente: ele prega curas e milagres. Não se dedica a outras doutrinas. Espera alguns minutos e começa a chamá-los. Todas as semanas, na mesma hora e no mesmo dia!
A busca desesperada pelo sinal e pelo milagre nos reporta ao que disse Jesus em Mt 12,39 e 16,4. Em Mc 13,22 e 16,17 o mesmo Jesus fala dos falsos e dos verdadeiros sinais. É o que acontece hoje, na televisão, para quem quiser ver e analisar. Anunciam-se e proclamam-se sinais que ninguém comprova. O animador do culto pergunta, o fiel dá o seu testemunho, mas ninguém comprova o antes, nem analisa o depois. Pode não ter havido mais um milagre, mas, sem dúvida alguma, aconteceu mais um marketing da fé!
Aceitamos sem questionar, ou Jesus nos deu esse direito e dever? Quem anuncia, prove! Não acreditem só na fala deles, diz Jesus em Mateus 24,26. O dono da loja que anunciou um produto por um preço, quando eu fui lá me ofereceu outro por outro preço. Mentiu!




