MIDIA, FOLHAS E FORMIGAS

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Não existe mídia leve. Existem programas leves. Quem quiser se dedicar de corpo e alma à mídia como formador de opinião, saiba que se trata de trabalho agradável, e certamente terá seus bônus, mas não sem seus devidos ônus. Serve para jornalista, colunista, radialista, apresentador, político e pregador de moral e costumes. Em algum momento o comunicador que fala diante de um microfone ou de uma câmera baterá de frente com alguma outra corrente de pensamento. Ai verá se tem ou não tem cacife para dialogar.

Dias atrás, mais uma vez tomei tempo para seguir um carreiro de formigas. Essas pequenas trabalhadoras me encantam; elas, as aves e as abelhas. Notei mais uma vez que pelo menos 99% delas levavam carga que podiam levar. Pareciam ter consciência do peso a levar, do próprio corpo, das próprias forças, da distância, dos ventos e dos empecilhos. Um grupo delas levava uma companheira morta. Outro grupo de cinco partilhava um pedaço maior, estilo força tarefa.


Mas vi algumas, poucas, é verdade, levando penosamente uma carga duas ou três vezes maiores do que as demais. No caminho, havia pedaços grandes abandonados.

Pensei na no carreiro chamado mídia! Vivi o suficiente para conhecer as histórias de Marilyn Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra, James Dean, Elvis Presley, Michael Jackson, Elis Regina, Jim Jones, Soeur Sourire e centenas de outros, para quem a fama pesou demais. Foi pedaço maior do que podiam carregar. Houve os que desistiram, os que se mataram, os que saíram chamuscados.

Mídia é organismo vivo. Como cavalo xucro escoiceia e corcoveia. Não é todo peão que a doma. Mídia é como sol quente das 10h às 16h. Quem, sem a devida proteção, se expõe demais ao seu brilho sai cheio de pústulas e queimaduras. Mídia é como pedaço de folha grande que a formiguinha achou que poderia levar, mas cambaleou e desistiu. Esperto é quem sabe o que montar, e como montar, e quando pular da sela. Esperto é quem sabe quanta luz agüenta. Esperto ainda, quem sabe o que pode e o que não pode.

Demonstra pouco critério e pouca inteligência emocional aquele que de tal maneira se apaixona pela mídia que aceita qualquer coisa para ser notado. Ao invés de agente transforma-se em objeto, ídolo, comunicador sem liberdade de ir e vir. A ironia das ironias é que os que mais se expõem e se oferecem à multidão são pessoas que já não se possuem. Como droga, mídia às vezes vicia e escraviza.

Formiga esperta só leva o que pode levar. Comunicador esperto nunca se super-expõe!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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