Contar histórias, bem ou mal, qualquer um conta. Não faz muito tempo uma simpática senhora analfabeta apresentou-se numa editora com um livro de 100 páginas na mão sobre seus dois filhos, seu cão e seu gato. O livro era cheio de humor e sabedoria, e estava bem escrito. A editora não o quis. Motivo: as histórias eram dela, mas não o livro. Teria problemas na divulgação, posto que a trajetória do livro depende muito da palavra do autor. Ela não era escritora.
Há mestres competentíssimos que não escrevem. Sua sabedoria de décadas fica confinada à suas salas de aula. Uns poucos desfrutam de seus conhecimentos. Há doutores que não escrevem. Ensinam para poucos. Alegam não ter tempo nem jeito nem disposição para outros livros.
E há os mestres que colocam sua sabedoria por escrito. Quatro ou cinco décadas de leituras, estudos, armazenamentos tornam-se livros riquíssimos de conteúdo destinado a qualquer leitor à procura de mais informação. Seus alunos se multiplicam em milhares ou milhões. Tenho alguns desses mestres escritores na minha estante. Louvo a Deus por eles. Leram mais de 500 livros sobre o tema e nos brindam com um livro de 200 a 500 páginas que facilita o nosso trabalho. O livro é seguido de outros igualmente substanciosos. Sei que outros como eu sequiosos de saber, têm ricas estantes com livros plenos de conteúdo, graças aos mestres que escrevem.
Tenho instado com amigos e companheiros meus a que escrevam. Ainda que vendessem apenas mil cópias, serviriam a mais do que aos duzentos alunos que os ouvem. Alguns já se convenceram, outros resistem. Com tantos livros sem pé nem cabeça, com tanto erotismo e violência nas bancas e tantos autores de parcos conhecimentos, seria bom que tivéssemos em mãos o pensamento de quem estudou e sabe das coisas.
Conheço rapazes moças que, se aprendessem a deixar por escrito as coisas extraordinárias que falam, iriam longe. Escrever é uma arte que se aprende quando se tem o dom da comunicação e suficiente conteúdo. O país poderia incentivar os jovens a escreverem mais do que já faz. Seria um grande avanço.
Precisamos das boas traduções de obras literárias que repercutem no mundo e isto já temos. Mas precisamos também de mais escritores nacionais. Eu, você, todos sabemos disso. Temos excelentes mestres que não escrevem nem mesmo em revistas e jornais. Convencê-los a escrever é um serviço ao país. Se um país se faz com boas escolas e bons mestres também se faz com bons livros!




