O verbo talvez não exista, mas deveria ser criado. Um seria marquetear e o outro, marquetear-se. Isto é: colocar-se no mercado e falar bem de si para atingir algum objetivo.
É o que, nos tempos de eleição fazem os políticos, ressaltando apenas as suas boas realizações e os seus sucessos, e esquecendo as corrupções de seu partido, os desvios de verba e todas as acusações de que foram alvos desde a última legislatura. É também o que fazem os cantores ao divulgar o seu disco. Fazem os mesmo as religiões, esquecidas de seus pecados e defeitos, a lembrar apenas o seu sucesso, seu crescimento, seu progresso e as curas acontecidas entre eles.
A tendência do ser humano é de se auto-exaltar e, se possível, diminuir o outro ou, não querendo diminuir, ignorando. Há um pouquinho de pequeno deus em cada ser humano porque muitos se imaginam acima da média. Se for crente vai se achar mais crente do que os outros. Com raras exceções um crente admite que o outro possa crer mais e mais certo do que ele. Se for político, vai se achar alguém com soluções melhores para o país do que os outros. É muito raro um político que admita que outro partido tenha alguma solução melhor do que a dele a oferecer.
É por essas razões que se municia de argumentos e se cerca de marqueteiros que possam ajudá-lo a falar bem dele mesmo e se possível, jogar um pouquinho de cizânia na terra do outro.
As razões de tal comportamento nascem do seu ego super-inflado. Se o que se marketeia faz parte de uma igreja, certamente esta igreja é a melhor, porque caso contrário ele não estaria lá. Entra-se para um Partido este é o melhor, porque senão ele não estaria lá, e, se torce por um time, o time é o melhor, porque senão não estaria entre aquela torcida… Na verdade, tais indivíduos estão falando de si mesmo: – Faço parte do melhor, escolhi o melhor, meu grupo tem a melhor solução!
É por isso que o diálogo político e religioso é tão difícil. É que grande número de políticos e religiosos simplesmente não aceitam a hipótese de que tenham que aprender com os outros, ou de que outros possam ser melhores em alguma coisa. Como dialogar, se falta o essencial do diálogo que é a humildade e os valores do outro? As escolas e as igrejas precisam trabalhar muito sério na afirmação do indivíduo, mas também na afirmação do outro. Sem o outro não há eu que sobreviva com honestidade. Viemos dos outros, temos que viver com os outros e provavelmente, quando morrermos, outros nos enterrarão. Provavelmente não: certamente!




