MARKETING PECAMINOSO

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Marketing é palavra originária do inglês, do substantivo “market” :mercado. Significa um processo motivacional: o de convencer o cliente em potencial a comprar. Consiste em mostrar de muitas maneiras um produto, ressaltar as suas qualidades e levar o comprador a sentir que deve adquiri-lo. Não deve esconder a verdade e, do começo ao fim, deveria ser um processo ético. O vendedor tem um produto que considera bom e quer vendê-lo. No processo, mesmo quando exagera um pouco as qualidades, não mente e jamais diminui o produto do outro. Pelo marketing divulgam-se sapatos, roupas, carros, prédios, aviões, barcos, festas, encontros e até religião. “Tenho algo a lhe oferecer, acho que vai lhe fazer bem e acho que você vai se satisfazer”. Até aí, tudo sem maiores reparos.

O marketing começa a se tornar pecaminoso quando parte para a mentira ou diminui os outros. Pior ainda, se o marketing for feito por um grupo religioso para ressaltar a sua igreja, os produtos da sua igreja ou do seu grupo. Torna-se duplamente pecaminoso por se tratar de um grupo que supostamente anuncia verdades reveladas. Marketing pecaminoso fez aquele pregador que disse que a sua igreja era superior às outras; que quem aderisse a eles teria a salvação garantida. Errou ainda mais quando acrescentou que na sua igreja o demônio foi vencido e não há mais pecado, além do que, deu datas, horas e lugares para a realização de ressurreições e milagres com hora marcada. Foi marketing pecaminoso, mentiu e sabia que estava mentindo, mas a febre de fazer adeptos foi maior do que a de anunciar a verdade.

Marketing pecaminoso fez o padre que, tendo escrito um catecismo, afirmou, mostrando o livro:- “Agora você tem um catecismo de verdade que lhe explicará tudo o que você não sabia até agora, porque, finalmente, apareceu um livro numa linguagem que qualquer um pode entender. Lendo este livro você se tornará um católico bem informado. Não há livro melhor na praça, procure nas melhores livrarias e, se não encontra-lo numa livraria católica, então aquela não é uma boa livraria”… Fez marketing pecaminoso, diminuindo os mais de quinhentos livros de teor semelhante, escritos por outros companheiros seus.

Marketing pecaminoso fez o apresentador de televisão que, visando destacar um CD de música instrumental para contemplar, mentiu, sabendo que mentia. Apresentou-o como o primeiro CD feito para levar as pessoas a orar através da música. Disse que nunca fora feito um outro CD como aquele, que seria o primeiro trabalho feito para levar um fiel a orar. Estava desprezando quarenta ou cinqüenta anos de trabalho de outras livrarias cristãs que têm juntas, mais de duzentas obras do mesmo teor. Enganou o povo, enganou a si mesmo e mentiu deslavadamente para vender o seu produto. Em casa alguns fiéis que o ouviram dormem ao som de CD´s instrumentais para orar. Escolas e hospitais fazem o mesmo. O que o levou a fazer aquela afirmação?…

Tomemos cuidados, ao divulgar os produtos da nossa igreja ou do nosso grupo. Se diminuirmos os outros ou dermos a entender que não existe nada igual ao nosso, cometeremos pecado. Mentir para vender um produto que supostamente deveria evangelizar é pecado, cheira à simonia; o dinheiro está falando mais forte.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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