Você ficou um tempo fora do catolicismo e agora voltou a pleno vapor. Deram-lhe um microfone, uma câmera, revista, livros, folhetos para você falar do que lhe aconteceu. Pedem-lhe testemunhos.
Por uma questão de gratidão, você quer divulgar o grupo que o aproximou de Deus e as pessoas que o levaram ao Senhor. Deseja que outras pessoas conheçam os livros, as canções, as revistas, a prática e o jeito do grupo, graças ao qual, você encontrou o Cristo. Sua estante está cheia dos produtos deles. Nada mais natural que se engaje num marketing sincero e queira que mais gente conheça a Igreja pelo ângulo que você a conheceu.
Isso é bonito, mas não cometa o mesmo erro de colegas seus, que acabaram achando que este é único ângulo possível e admissível. Cairá num marketing, presunçoso, às vezes, mentiroso, tendencioso e cruel. É que há outros chamados, outros enfoques e outras maneiras de voltar para o Cristo e nele permanecer. Aprenda a achar o lugar do seu novo grupo e a elogiar o que Deus fez e faz nos outros. O marketing católico jamais diminui, ou exclui o outro e o produto dele! Também não ocupa de maneira insensível e pouco fraterna, o espaço que era do outro e onde o outro recolhia fundos para as suas obras sociais. Católico toma cuidado com as palavras mais, maior e melhor… Não se exalta acima dos outros e não invade o terreno do outro.
Ao terminar a leitura desses pontos abaixo listados, descubra em livro ou na Internet o Documento Ética nos Meios de Comunicação, de 4 junho de 2004, Vaticano. É exigente e sumamente oportuno para quem faz uso da mídia!
1- O marketing é uma forma de mercadejar um produto. Tem por finalidade oferecer um produto novo ou já conhecido, ressaltando seus valores e suas vantagens, na esperança de que mais pessoas o procurem e comprem. É a arte de divulgar e tentar convencer o espectador ou ouvinte a tornar-se um cliente e comprador, ou um adepto.
2- Pode ser <
Verdadeiro e humilde
Verdadeiro e não competitivo
Verdadeiro e prevalecido
Verdadeiro e agressivo
Mentiroso ou reticente<
Mentiroso e competitivo
Parcial e enganador
Injusto e invasor
3- Há uma ética católica que também rege a comunicação de qualquer grupo católico. Qualquer que seja a obra, o produto, a pessoa ou o movimento, seus diretores, divulgadores ou membros não podem utilizar as mesmas argumentações e as mesmas técnicas de divulgação do marketing do mundo. Sobretudo se os números forem falsos e a comparação for injusta, porque ressalta o aspecto em que somos mais, mas esconde os muitos aspectos em que somos menos.
4- As palavras mais, maior, melhor, único, primeiro, precisam ser cuidadosamente medidas., caso possam diminuir outras pessoas, outros pregadores, outros grupos, outras igrejas, outros produtos católicos.
5- As comparações são odiosas, especialmente quando quem compara sua obra, ou seus escritos, ou canções, ou seu grupo com outros, os ressalta como se fossem melhores, mais fiéis, mais católicos. Se alguém está ferindo a doutrina ou a ética, não se coloca isso na mídia. Caso seja colocado, não se cite nomes nem grupos nem pessoas, cuidando apenas em estabelecer princípios e fatos.
>6- Somos maiores do que o … somos mais do que os…. chegamos a mais gente do que os… nosso espaço é maior do que o da…… ou do …. nosso pregador é mais preparado do que os … o grupo XY prega um teologia que afastou as pessoas da fé… Eles não acolhem… pregam política demais… pregam louvor demais… eles não … nós porém…. Deus nos chamou para corrigir o que os…. fizeram.. estamos crescendo mais do que a… que está diminuindo … Nossos pregadores e cantores são mais…. Nosso líder é o melhor…..Tais expressões denotam competição, presunção e vaidade. Tudo isso poderia ser dito de outro jeito sem que alguém se coloque acima dos outros ou diminua o valor dos outros.
7- Discordância tem lugar, momento e jeito para ser colocada. Não se joga a discordância em qualquer mídia, qualquer lugar e qualquer grupo. Não se chama a outra mídia, a outra igreja ou o outro grupo de demônio ou demoníaco. Jesus poderia dizer o que disse, mas é ousadia qualquer um de nós jogar esta pecha nos outros. Há maneira de mostrar o erro dos outros sem associá-los ao demônio. Fizeram isso com Jesus e foi injusto. É uma acusação muito grave para estar na boca de um comunicador cristão.
8- Apontar um Cd, um livro nosso como o melhor no gênero, ou que vai resolver todas as dúvidas do fiel e diminuir uma livraria católica por não vendê-lo, soa como marketing, mas não como marketing cristão. Uma coisa é defender, valorizar e divulgar a obra dos outros e outra supervalorizar a nossa!
9- Omitir sistematicamente elogios a outros grupos de igreja, a outras igrejas, a outros pregadores, a outros autores e cantores e escritores é fugir da ética cristã. Não somos os únicos bons de comunicação e de graça na Igreja.
10- É maravilhoso o que Deus fez por você, mas é também maravilhoso o que ele fez pelos outros. Inclua isso no seu marketing. Seu livro é muito bom, mas há outros livros bons. Seu pregador é excelente, mas há outros de outros grupos com igual inspiração e fé. Elogie os outros e um dia acabará merecendo os elogios que dão a você e ao seu grupo.
Alguns de nós precisamos urgentemente rever o marketing de nossos produtos. Se exclui, diminui ou ignora os outros, vai contra os evangelhos.




