FORA DE ROTA

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Há um piloto que voa fora de rota e não percebe nem admite que se desviou. Ou perdeu a capacidade de ler o painel, ou os mostradores falharam e ele não percebe. Começou bem, decidiu posar num aeroporto não  programado, ousou levantar vôo e está seguro de que chegará.

Algo semelhante fez aquele inexperiente baloeiro que amarrou-se em balões de gás e munido apenas de um GPS que não funcionou foi encontrado morto no mar há mil milhas de distância do ponto em que estava seguro que desceria. Os possíveis aplausos e a notoriedade acabaram em risos e galhofas.

Pilotos e baloeiros mais experientes avisam, mas eles não ouvem. A auto-confiança é tão grande que ousam voar sem saber voar e flutuar sem saber das condições do ar ou do mar.

Na mídia é fácil perceber quem está voando com instrumentos e quem arriscou sem conhecer os mecanismos da mesma. Psicólogos, psiquiatras, experimentados sociólogos e mestres em comunicação escrevem sobre o assunto, observam aqueles programas, olham os rostos e os gestos, analisam os relatórios e sabem no que vai dar a aventura. O mesmo fazem os que estudam comportamentos de alpinistas que ousam avançar por montanhas  íngremes sem os instrumentos e os conhecimentos. Ousados, inventam técnicas novas e desprezam as que deram certo. Algum passo em falso e algum desvão pode significar fim de escalada.

De nada adianta querer ajudar.  Pilotos e alpinistas ousados desprezam ajuda. Traídos pela auto-confiança estão surdos a qualquer orientação de quem conhece aqueles riscos.

Os que aconselharam Michael Jackson, Janis Joplin, Elvis Presley, Jim Jones, Amy Winehouse, Marylin Monroe e centenas de ousados navegadores que morreram afogados pelo mar da mídia não foram ouvidos. Mas eles sabiam no que dariam aqueles comportamentos.

Os holofotes enfeitiçam e tiram o raciocínio dos que o encaram demais. Luz demais além de cegar desnorteia. Um amigo a quem um psicólogo alertou contra a busca sôfrega pela fama riu-se do velho psicólogo que não sabia dos novos aproaches da comunicação. Disse que seu tempo era outro. Não demorou um ano para que começasse a dar sinais de que seu gás estava acabando. Pânico! Perdia terreno, tinha dívidas enormes e não estava vendendo como antes. As emissoras e os empresários já não o chamavam como antes. Declínio!

Tivesse obedecido os que entendem de exposição e marketing, talvez não tivesse queimado sua imagem.

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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