FOLIÕES E DEVOTOS AOS MILHÕES

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Dois milhões de foliões em Copacabana, dois milhões no galo da madrugada no Recife, dois milhões de fieis católicos no Círio de Nazaré, dois milhões de evangélicos na Marcha para Jesus, dois milhões no dia do orgulho gay na Avenida Paulista, um milhão no evento da CUT, outro um milhão na da força Sindical, um milhão desta ou daquela Igreja… É o que os jornalistas ou organizadores chutam, sem que ninguém lhes cobre as hipérboles. Uma foto aérea resolveria o problema. Raramente são tiradas ou estudadas. Assim, todos os eventos são resumidos em um ou dois milhões. Não há nem a hipótese de os organizadores admitirem 1,2 ou 1,7 milhões. Ou falam em um ou em dois milhões. Ano após ano. Evento após evento são as estatísticas não checadas que eles nos oferecem.

Como ninguém confere os fatos e os números são sempre redondos fica-se a impressão de muitos. A notícia vira marketing em favor dos organizadores. Duzentos mil com facilidade viram um milhão. O oposto também acontece. Se o grupo não é bem aceito ou o cantor não repercute naquela mídia, vinte mil viram dois mil. Um engenheiro especializado em estatísticas dizia recentemente:
-Não me surpreenderia se daqui a dois anos os organizadores disserem que cinco milhões foram ao Galo, cinco milhões à Copacabana e cinco milhões na Paulista. De tanto abusarem dos números e do marketing cairão no ridículo. Experimente colocar três milhões de pessoas lá onde disseram que havia, simule isso no computador calculando quatro pessoas por metro quadrado. Veja se isso é possível. Depois pergunte-se sobre o marketing deles. Se não cabe tanta gente naquela avenida porque, ano após ano, insistem nesses números 5 a 10 vezes maiores do que realmente foi?

Aprendi com ele a ter cuidado com as estatísticas seculares ou religiosas. Elas, as vezes, mentem!

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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