No meu tempo de seminário fui nomeado catequista.Entendi que era a Igreja que me nomeava. Um bispo me ordenou sacerdote para cuidar do que é sagrado e do que leva o mundo ao sagrado. O povo me chamou de pai espiritual: padre. Além disso, padre católico, pai para todos.
Eu era muito novo, mas aos 25 anos, meus amigos todos já tinham filhos. Então eu também poderia ser pai espiritual. Passei a me assinar Padre José.
As crianças de uma escola Pestalozzi, vendo um padre tão novo apelidaram-me de Padre Zezinho. Aceitei o apelido. Assim nasceu o Padre Zezinho scj. SCJ é a sigla da Congregação de padres que me deu a oportunidade de sair da pobreza, ir para o seminário, estudar e tornar-me a pessoa, o sacerdote e o comunicador que eu sou. Por isso sempre assinei “padre” antes e “scj” depois do meu nome.
Um dia, a Igreja me deu um microfone na paróquia onde fui trabalhar. Amigos me deram um violão porque descobriram que eu tinha o dom de compor e cantar. Num dia de Natal, apareceu uma emissora com uma câmera de televisão, pedindo para filmar a missa que eu presidia.
Meus jovens cantavam e tocavam com guitarra, violões elétricos e bateria. Aquilo era novo em l967. O padre Oliveira, que os jovens chamavam de Padre Zezinho scj compunha, tocava, cantava e montara um conjunto de jovens, preparara um grupo de teatro para levar arte aos colégios. A igreja enchia de jovens certamente não por causa dele. Sem aqueles jovens os outros não viriam.
Faz mais de 40 anos. E agora aos 70 ouço amigos a me dizer coisas que poderiam inflar o meu ego. Mas sei dos meus limites. E como sei!
Conheço semeadores cujas sementes se espalharam pelo mundo e produziram arvores frondosas com frutos abundantes. Sei de semeadores cujas sementes atingiram todo o país e produziram frutos em grande quantidade. Sei dos que atingiram uma região. E sei dos que chegaram longe, mas suas sementes hoje produzem frutos abundantes em algumas áreas e poucos em outras.
Sou este semeador. Talvez 10% das sementes que lancei tenham chegado longe. As outras chegam fortes em algumas regiões e quase nada produzem em outras. Não me iludo com os aplausos.Aceito e agradeço, mas sei que a Igreja tem gente muito melhor do que eu. Fico feliz por saber que colaborei para que a Igreja chegasse aonde chegou; feliz por saber que muita gente se beneficiou de meus dias e noites de árduo trabalho; feliz por saber que fiz alguém pensar, alguém esperar e alguém entender melhor o que significa ser pessoa, cristão e católico.
Sou grato pelos elogios e homenagens. Mas peço sempre que prossigam orando por mim. Talvez eu viva mais 15 ou 20 anos, talvez 5, talvez dez, mas, viva o tempo que viver, espero que meus amigos em encontrem sereno e desejoso de ser discípulo e missionário.
Para mim o aprendizado não terminou. Quem tiver algo para me ensinar, por favor, me ensine! Meus livros, falas, gestos e canções são meu jeito de fazer a minha parte.




