O projeto dos pentecostais
Algumas igrejas neo-pentecostais já nasceram sob o signo das antenas. Nunca tiveram que fazer a transição do púlpito. A Igreja Universal é uma delas. Entendeu desde o começo que o seu crescimento dependeria da mídia. Edir Macedo sempre demonstrou entender a importância do púlpito ampliado. Colheu em menos de vinte anos os frutos de ir lá pregar para o fiel na sua casa e no seu carro e não esperar que ele viesse aos templos. Quando começou a erguer seus templos o fiel já estava conquistado pelas antenas. Ele e outros grupos neo-pentecostais apostaram neste novo púlpito.
Menos sensibilidade
Entre os pregadores católicos e evangélicos tradicionais não houve o mesmo empenho, senão anos depois. Poucos padres ou pastores usavam o rádio ou a televisão, enquanto muitos pastores neo-pentecostais já começaram seu ministério atrás de um microfone ou diante de uma câmera. Há hoje uma geração de jovens padres católicos com essa mesma sensibilidade. Querem chegar a milhões e trabalhar na mídia. É um desejo piedoso e justo. Parafraseando São Paulo (1 Tm 3,1) diríamos que quem deseja esse tipo de liderança deseja uma nobre missão.
Querem falar para milhões
Alguns jovens sacerdotes não escondem que desejam pregar para serem ouvidos e não hesitam em mostrar-se para poder mostrar Jesus. Antes que nos apressemos em dizer que é vaidade analisemos caso por caso. Pode haver a mesma vaidade no que prega para ganhar aplauso no púlpito de uma catedral ou de uma casa de retiros para onde chama os fiéis. Não é porque um prega para dez milhões que é necessariamente mais vaidoso. Ele pode estar humildemente querendo atingir milhões.
Vaidade projetada?
Se for verdade que as antenas, o palco, as luzes podem envaidecer, também é verdade que podem mostrar um pregador sereno e humilde que não se encanta com o veículo que usa. Alguém pode ser vaidoso numa carruagem antiga e o outro ser humilde num carro moderno. Depende da maneira como aparece ao volante! Nos dois casos dá para ver o pregador dizendo –Olhem eu aqui!, Ou , Permitam-me ajudá-los!
De cima do telhado
Quando em Mateus 10, 27 lemos que Jesus mandou pregar de cima do telhado podemos ler a proposta de duas maneiras: – Aceitem aparecer para falarem a mais pessoas, ou exponham-se mais para que mais gente os ouça. Quem sobe ao telhado aparece mais. Se ele souber aparecer com humildade e conteúdo, estará servindo maravilhosamente o Senhor que o deu em espetáculo ao mundo (1 Cor 4,9).
Fé ou espetáculo?
Se fizer isso para ser aplaudido e brilhar mais, então estará oferecendo um triste espetáculo de pregador que não resiste à superexposição. Deverá repensar a sua necessidade de aparecer. Pode ser zelo e humildade de quem se arrisca, mas pode também ser desejo incontrolado e até inconsciente de ser o primeiro, ou de ganhar os aplausos do mundo. Como ninguém de nós conhece o íntimo dos outros, só Deus pode saber se é zelo por mais almas, ou busca de mais aplausos. Ao pregador compete saber a diferença. Ele sabe por que está na mídia… Se para incensar ou ser incensado. Quem sofre a tentação de pequeno Deus não resiste ao cheiro do incenso. Acaba se expondo demais e aceitando mais veneração e elogios do que merece. Pode enganar quem o segue, mas não a Deus.




