O perigo de todo pregador da fé que precisa vive entre a Palavra e o Sinal é o de chamar de símbolo o que não é, de sinal o que não é e de acentuar em demasia a Palavra, em detrimento do Sinal. Também erra ao colorir demais o Sinal em detrimento da Palavra.
Nem todo sinal diz o que dizemos que ele diz e nem toda palavra por nós interpretada diz o que dizemos que ela diz. Costumamos apressar o tempo da semente porque tememos que ela não frutifique ainda no curso da nossa vida. Então damos um jeito de urgentizar o que precisa de espaço e de tempo. É o que faz a comunicação açodada e apressada da fé que converte milhares de almas para Cristo, mas depois não sabe onde colocá-las dentro das igrejas. São tratadas como tijolos. Se não cabem são postas de lado no processo urgente de sucesso e mais valia que se tornaram algumas igrejas e alguns grupos de igrejas.
Aí entra a hermenêutica, aí entram as exegeses, aí entram as mais de trinta matérias do Curso de Teologia. Aí entra a Prática e a Crítica de Comunicação. São conhecimentos e experiências que obrigatoriamente se interligam e ensinam a semear, a valorizar o que outro já semeou, a cultivar e a esperar o tempo de Deus e o tempo da semente que não são os nossos.
Nem tudo é Palavra, nem tudo é Sinal, nem toda cerimônia litúrgica serve como Sinal e nem toda pregação é pregação da Palavra. Depende do que diz o pregador e de como conduz a celebração. Em termos de comunicação cristã , como nas grandes avenidas, há perigo na lentidão e há perigo no excesso de velocidade. Aas placas não estão lá por acaso! Já foi testado!
Aqui entramos no delicado campo da matéria relativamente nova chamada Pastoral da Comunicação e com diversos nomes, a depender da faculdade e de quem a ministra.
Aqui a temos chamado de Prática e Critica da Comunicação, porque por exigüidade de tempo não há como demorar na teoria. Isso, o aluno pode conseguir em livros. Parece-nos de suma importância que o aluno aprenda a ser crítico da própria comunicação, aprenda a aceitar as críticas dos outros e quando criticar a comunicação dos outros saiba fazê-lo levando em conta os valores, as intenções e o lado positivo daquele trabalho. Nem por isso deve ter medo de alertar o irmão e a irmã na fé quanto a possíveis desvios ou ensinamentos inadequados. Quem mais recebeu tem o dever de dar mais. Quem sabe mais tem o dever de ensinar. O mero fato de poderem ser alunos de Teologia em Faculdade que lhes mostra outros mestres além dos que vocês já seguem, aumenta em vocês a responsabilidade perante seus irmãos catequistas que não cursaram o que vocês cursam.
Professores de teologia e filosofia em fins dos anos 60, e mais tarde vários deles em cursos que fiz, ao nos apresentarem autores como Hans Kung, Gregory Baum, Karl Barth, Edward Schillebeeckx, Johannes Paul Tillich, Teilhard de Chardin, Romano Guardini Karl Rahner, Friedrich Nietzsche, e assim por diante, pediam o cuidado de não julgar apressadamente um teólogo. São anos e anos de estudo sério debruçados sobre a busca de Deus e da pessoa humana. É muito fácil desfazer de um pensador só porque ele não diz o que nosso mestre nos disse; especialmente quando nosso mestre nem sequer tem o hábito de ler livros. Acontece em muitas igrejas e não apenas na nossa, que muitos que formam a consciência cristã dos seus seguidores falam como se soubessem mais do que irmãos e irmãs com anos e anos de estudo da fé.
Estudas teologia e comunicação ainda não é fazer teologia e comunicação. Isso demora mais um pouco. Brincar de pregar teologia sem estudá-la, de fazer comunicação sem estudá-la pode dar em superficialidades e fanatismo perigosos. A nós, a quem foi dado por um tempo um microfone e uma câmera, não resta outra coisa senão estudar com profundidade a filosofia, a teologia, a catequese e a comunicação da Igreja através dos tempos: primeiro para ao repetirmos os erros dos hereges de ontem, segundo para levarmos ao povo a sabedoria de tantos séculos, os documentos e pronunciamentos da Igreja do nosso tempo e uma catequese abrangente, aberta e atual. Além disso, não se faz boa comunicação na mídia católica sem o conhecimento básico dos temas caros à catequese e à teologia dos católicos.
É mais do que aulas de catequese. É pratica, é vida, é ascese. Quem nunca sofreu para fazer teologia ou comunicação não entrou de cheio no tema. Os temas se confundem embora sejam tratados de maneira peculiar: história da comunicação humana, historia da comunicação cristã, história da comunicação entre os católicos, história da comunicação entre os evangélicos, psicopedagogia da fé, pedagogia da comunicação, sociologia da comunicação, filosofia da comunicação, teologia da comunicação, mitologia e comunicação, hermenêutica, símbolos e sinais, o poder do mito e dos sinais… Tudo isso está em livros nas nossas bibliotecas em extensos tratados de religião comparada. Destaco os autores Joseph Campbell, Karen Armstrong, Gerald Messadié, Mircea EIiade, Juan Antonio Estrada e centenas de obras de exegese e hermenêutica que nos ajudam a caminhar entre a Palavra o Sinal e distinguir o que realmente pode ter sido dito e o que não pode ter sido dito da forma como chegou até nós. Aquela narrativa do gesto de Jesus tinha que objetivo e que significado naqueles dias?
O perigo de seguir um só mestre é o de escolhermos um que por mais santo que seja sabe tão pouco que sua sopa será sempre rala. Melhor é ouvir vários mestres que nos levem com mais segurança ao Mestre dos Mestres.
Todo mestre precisa ter medo das próprias convicções e ter em conta que ele sozinho não tem como dar aos discípulos toda a sabedoria da Igreja. Seus discípulos, no mínimo, têm que ser alunos de outros mestres mais versados em teologia, filosofia, história e comunicação. Podem ser fiéis a ele, mas não podem ater-se apena ao que ele sabe. Bom mestre, humilde e santo é o que leva seus discípulos lerem e aprenderem com outros irmãos na fé que têm o que ensinar e gozam do respeito da Igreja.
Para quem tem fé sólida conhecer o pensamento de outros autores católicos com outros enfoques, de outros autores evangélicos, de ateus ajuda a ter mais abrangência no olhar. Perder a fé porque um autor o abalou é sinal de conhecimento insuficiente da fé que se tinha.




