O Papa e os bispos não são imperadores nem ditadores. Não mandam na Igreja. Eles lideram. Reúnem assembleias, coordenam e usam da autoridade que receberam e da qual não se apossaram porque, ou foram eleitos, ou nomeados. Algumas coisas eles exigem. Outras, eles solicitam.
Pois é esta liderança que nos solicita hoje que mantenhamos alguma escola, alguma casa de apoio aos portadores de HIV, alguma creche, um asilo, algum hospital ou uma emissora de rádio. O católico, por mais pobre que seja, escolhe uma dessas obras e ajuda, porque é católico e não passa a vida comendo pipoca emocionado com o que vê e ouve diante do rádio ou da televisão. Ele se levanta vai lá e faz alguma coisa por sua Igreja e, com sua Igreja, faz pelos outros.
No caso da Nove de Julho trata-se de uma rádio da diocese que, pelo próprio nome, lembra um evento heroico dos paulistas. Os paulistas não aceitaram ser usados. Lutaram por um país de todos e não de uns poucos.
O dever dessa emissora é ensinar cidadania e fé. A Nove de Julho não é uma rádio que apenas ensina a cantar lindos cantos, ouvir agradáveis testemunhos e a rezar o rosário. Ela tem programas que ajudam a pensar e repensar esta cidade. Pensar a vida é, também, nosso dever de católicos. Somos chamados a dar um pensamento justo a esta cidade.
A Igreja é Mãe e Mestra e uma as coisas pelas quais ela luta é a democracia. Já reagiu contra quem queria instalar aqui uma ditadura, tornou a reagir quando o lado vencedor se tornou ditatorial e reagirá com risco de vida, se alguém ousar fazer do Brasil feudo de algum grupo, sindicato ou partido. É nossa vocação.
Foi por isso que fecharam por vários anos a Nove de Julho. Eu era um dos que falavam na emissora. Estive lá e vi tudo isso acontecer. Perdemos a rádio, mas não a profecia. Dom Paulo não se intimidou.
Hoje o que pedimos é que vocês ajudem a manter uma emissora que atua como porta-voz da Igreja em São Paulo. Se tenho alguma liderança, por menor que ela seja, proponho que vocês que me ouvem se inscrevam como contribuintes regulares para que a Nove de Julho, sua emissora-diálogo, continue sua missão.
Não deixe que outros calem nossa Igreja, nem que por falta de recursos, nossa Igreja se cale. Não é possível que sete milhões de católicos não possam manter uma emissora de rádio. Pensem e ajam!




