Quem quiser mais detalhes, investigue nos jornais do dia 5.1.2006. Lá conhecerá os nomes. Um ateu italiano que estudou em seminário católico está processando a Igreja Católica por enganar a fé do povo, ao ensinar que Jesus existiu. Seu alvo é um sacerdote de quem foi amigo e colega de seminário. Perante as leis italianas o sacerdote citado deve responder a tais acusações.
O ateu em questão imita o que alguns ateus ex-evangélicos já fizeram nos Estados Unidos contra suas igrejas. No caso, diz a notícia que ele mesmo reconhece não ter a menor chance de ganhar a pendência. Não obstante vai em frente porque, com isso, torna público o seu desprezo pela Igreja e lhe aplica mais um chute, dos muitos que ela recebeu e anda recebendo pela mídia.
Mídia é a palavra mágica. Alguns jornais não lhe darão esta cobertura por perceberem que é isso o que ele quer. Publicidade gratuita. Afinal, ele escreveu um livro e precisa divulgá-lo… Como há jornais e jornais, editores e editores, ele sabe que seu nome e o titulo do seu livro podem ganhar mundo. Afinal, embora todos os dias alguém questione Jesus e a Igreja Católica, não é todo dia que um antigo colega de seminário, agora ateu, processa o outro, porque o ex colega continua padre e anunciando Jesus. Isto é notícia para muitos jornais. Com isso ele conta. Mesmo que, para ele, Jesus tenha existido, dirá que não é como o descrevem. Por outro lado, negando que Jesus existiu, o mundo saberá que ele e o seu livro existem. Não resistindo a tal polêmica, a mídia de muitos paises jogará os holofotes sobre ele. E é o que ele quer: os holofotes, por que o livro ele já escreveu.
Virar notícia
Lembra a vedete em começo de carreira artística que grava um CD, escreve um livro e cria alguma polêmica para conseguir notoriedade. Há muitas maneiras de se ficar famoso, mas ela escolhe a da evasão de privacidade. Arranja um assunto polêmico e tenta virar notícia.
Catechein: ecoar
A raiz do verbo catechein lembra o ato de ecoar, repercutir. A catequese cristã leva notícias enquanto tenta repercutir a melhor de todas elas (eu-anguélion: evangelho): Jesus Cristo existiu e falou. E ele era o Filho de Deus.
Outras catequeses
Há outras catequeses, gritadas em púlpitos adversários ou ateus, templos, telas, canções, jornais e cátedras universitárias: Jesus não existiu! O Cristo de vocês é uma fraude. O nosso Cristo é mais completo. O nosso é que é verdadeiro! Somos mais cristãos do que vocês. E sem esperar respostas, jogam no ar a sua noticia: -Há outros ungidos e cristos no mundo. Os da religião ou do grupo ideológico deles, por exemplo! Tentam parar a nossa e em seguida gritam bem alto a catequese deles que jogam por cima da nossa com torres e antenas poderosas, compradas e mantidas a peso de ouro. O poder econômico determina o tamanho do grito.<
Muitos cristos e muitos anticristos
A nossa é uma era de muitos cristos e muitos anticristos. O nosso é Jesus Cristo; os deles têm outros nomes. Alguns entre eles respeitam o nosso, mas garantem que o deles é o único. Nós fazemos o mesmo. Mas há os que negam o nosso enquanto acentuam o seu. Num mundo repleto de mídias, quem grita mais alto acaba repercutindo. Deve ser por isso que no dia 1 de janeiro a TV Globo, ao invés de entrevistar também os teólogos católicos, evangélicos ou ecumênicos, enquanto os católicos festejavam a figura de Maria, puseram no ar a entrevista com um entre aspas " estudioso" que garantiu que Maria teve mais filhos e que José tinha dois filhos de outro casamento. Isto foi notícia para a Globo. Um padre dizer, no dia dedicado á mãe do Cristo que Maria não teve outros filhos, já não seria tão interessante. A Igreja que diga isso nos seus púlpitos! Afinal, um padre jovem e o seu bispo dizem estas coisas todos as manhãs na mesma televisão. Então porque não esquentar a tela com uma boa polêmica?
É neste mundo pluralista e questionador que o pregador católico precisa escolher entre
a)ficar no seu púlpito que repercute pouco
b)mudar-se para as antenas que repercutem pouco
c)procurar os holofotes e as antenas que repercutem para milhões
d) usar o púlpito e as antenas seja lá como for
e) usar púlpito e antenas sem perder a ética e sem fazer concessões
Seremos capazes disso?




