Em qualquer mística fundamentada nos evangelhos está claro como a luz do dia que ninguém pode usar a Palavra de Deus para enriquecer ou levar vantagem com ela. Ou nosso dom favorece a todos, ou não responde à proposta cristã. Fundamentar-se apenas no Antigo Testamento e omitir ou ignorar as exigências de Jesus e dos apóstolos quanto à destinação da riqueza é sofismar.
Fere demais a Igreja, os outros pregadores e ao próprio pregador o uso do púlpito e da mídia religiosa em proveito próprio. Quando o pregador, seja ele de qualquer igreja, aufere lucros que vão para a sua conta pessoal, ostenta excessivo conforto e tira vantagem após vantagem da formação que sua Igreja lhe deu, tal pregador fere os fiéis e a Igreja que o formou. O povo não dá dinheiro para enriquecer o pregador e, sim, para que sua igreja cresça.
Simão, o Mago quis os dons dados aos apóstolos para proveito pessoal. Já era tratado como um semideus. (At 8,10) Se tivesse também aqueles carismas, seria ainda mais famoso do que era. Propôs a compra de um lugar entre os apóstolos. Ouviu o que tinha que ouvir. Os apóstolos não mostraram a menor tolerância. Amaldiçoaram seu comportamento. Misturara as coisas…
17 Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
18 E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro,
19 Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.
20 Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.
21 Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus.
22 Arrepende-te, pois, dessa tua iniqüidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração
23 Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniqüidade.
24 Respondendo, porém, Simão, disse: Orai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim.
At 8, 17- 24
Nos dias de agora, nas mais diversas igrejas, há os pregadores desprendidos e pobres e há os outros, que visam lucro e dele auferem parte substanciosa. Basta verificar que vida levam, que obras têm o seu nome e a quem realmente destinam o que recebem. São pregadores ricos. A pregação os enriqueceu.
Séculos atrás era comum que papas, cardeais, bispos e mais tarde pregadores de igrejas evangélicas se associassem ao poder e construíssem palácios vistosos para si. Viviam ricamente. Na Igreja Católica e também nas evangélicas houve notáveis mudanças. Por séculos não se via mais pregadores ricos.
Com o advento da mídia e das chamadas igrejas eletrônicas, outra vez apareceu a figura de pregadores que enriqueceram. Tornaram-se empreendedores. Mas boa parte do dinheiro veio dos fiéis e foi dada não a pregador, mas à igreja. Estes não ocultaram sua riqueza. Abertamente declararam que o Senhor lhes dava aqueles bens por terem sido fiéis. E não faltaram passagens bíblicas para explicar seu rápido enriquecimento.
A cada dia que passa fica mais difícil um pregador de qualquer igreja cristã seja ele sacerdote, leigo ou leiga, explicar sua riqueza pessoal adquirida com canções, escritos, aparições e shows. É dom da Igreja mais do que deles. Conforto é uma coisa e riqueza, outra. Se há textos que explicam tantos bens adquiridos com a pregação, também os há contra o uso da graça e da remuneração que vem do púlpito em proveito próprio.
O tema é controvertido, mas está cada dia mais claro para os fiéis cristãos que há limites para a riqueza dos pregadores. Púlpito não rima com cifrão!




