Religião, em geral, rima com canção. Na Índia, no Tibete, na China, na África, na Europa, os Oriente Médio os religiosos cantam. Alguns, há milhares de anos. Não é que orar e celebrar tenha que passar pelo cantar, mas passa, muitas vezes com graça, noutra sem conteúdo e sem graça nenhuma. Depende do compositor, do músico e do cantor. Há os que estudam, lêem, pesquisam e levam a sério cada letra que cantam. E há os desavisados e desatualizados. Fazem, gravam cantam sem jamais ter lido o que sua Igreja espera de um compositor ou de um cantor católico.
Quando qualquer um pode compor, cantar e divulgar-se ouve-se também qualquer tipo de canção. Vai depender mais do disk-jockey do que do bispo e do pároco. Quando a religião leva o canto a sério, seleciona a canção pelo conteúdo e pela forma como ela traduz o culto e a catequese daquela diocese. Gente preparada o faz. Mas quando quem seleciona demonstra conhecer pouco os documentos da sua Igreja sobre a responsabilidade do músico católico acontece o que estamos vendo. Não entra a canção do teólogo ou do professor de comunicação católica, mas entra a do autor daquele grupo ou movimento que toca aquela missa e aquele programa de rádio. É questão de grupismo e de poder e não de conteúdo da fé.
O advento da mídia para todos e de grupos religiosos com poder de mídia aumentou a chance da publicação de milhares de novas canções da linha deste grupo e de silenciar a outra linha. Tendo alguma inspiração, mas não conhecendo bem a teologia e a doutrina da sua igreja, não são poucos os compositores religiosos amadores que chegamà mídia da sua cidade ou do seu país sem doutrina, sem teologia, sem sociologia e sem catequese. Cantam o seu testemunho pessoal de vida. É válido , mas não é suficiente.
As religiões e igrejas deveriam exigir mais dos seus compositores e cantores. Afinal, alguns deles atingem milhões de pessoas. Na Igreja Católica as normas existem mas não são implementadas. Ainda vale mais a simpatia e o grupismo do que o conteúdo da fé. Toca-se uma canção porque é do grupo ou de um amigo e não porque traduz uma doutrina oficial. Por isso ouve-se cantar ou tocar o canto errado, na hora errada, do jeito errado com instrumentos errados e com letras que deixam a desejar. Ninguém supervisiona. Funciona mais ou menos como a casa da mãe Joana. Canta quem pode e é do grupo do programador e não quem sabe e tem o que dizer!
Canção de católico deveria traduzir, além da Bíblia e da liturgia do dia, os documentos papais, as encíclicas, os grandes temas do Catecismo, e do Compendio da Doutrina Social, as declarações das conferências episcopais e textos de grandes tratados de teologia. Seria a forma correta de evangelizar pelo canto. Mas como exigir isso dos compositores, se eles mesmo admitem que não leram tais livros e alguns nem sequer os conhecem?
Cante-se um pouco mais a compaixão e a solidariedade sem abandonar o louvor. Isso é bíblico. Quem lê os salmos sabe o que estou falando! Num país com tanta corrupção, miséria, violência e injustiça, tanta dor e tanta fome faltam canções católicas de cunho social. De cada 10, 9 são de louvor. Uma propõe a solidariedade católica que é tão cara aos papas e bispos. E dependendo do disk-jockey e da sua linha pastoral nem é tocada. Quem seleciona as canções prefere o louvor. Os shows seguem a mesma linha. Nove de louvor e uma sobre a dor humana. Será que acham que é pecado e falta de espiritualidade alguém propor mudanças política s e sociais no seu país e cantar em nome do povo que sofre? Ligue sua emissora e seu programa católico preferido e preste atenção nas canções escolhidas. Quase não falam dos problemas humanos. Os papas e bispos já falaram. Alguns cantores e compositores é que ou não leram, ou não acham que isso dá música!




