A FALÊNCIA DOS VOCÁBULOS

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Em todas as línguas, determinados sons combinados, formam os vocábulos que, por sua vez, registram um significado. O pouco uso, ou o excesso de uso dos mesmos vocábulos podem produzir o contrário do que eles pretendem significar. O acerto ou o erro do marketing, da pregação política, ou da pregação religiosa está na capacidade de encontrar novos termos, novos vocábulos , de atualizar a linguagem, e de criar, como dizem os salmos, um canto novo e diferente. A mesmice mata a mensagem. Grave dez frases e faça seu aparelho repeti-la o dia inteiro ou várias semanas. Por mais bonitas que elas sejam, acabarão produzindo cansaço e repúdio. Porque para a grande maioria das pessoas as músicas de apenas um ano atrás já não mais interessam? Não terá sido o excesso de execução no rádio ou na televisão? Excesso é o termo. Saturação é o perigo. Se não vierem acompanhadas de novos conceitos, novos conteúdos e novas palavras as palavras repetidas por todos e quase sempre do mesmo jeito acabam oprimindo o ouvinte. É apenas questão de tempo.

Onde estava o erro de algumas ideologias que sucumbiram de repente? No cansaço do povo que já não agüentava mais ouvir aquelas mensagens. O que levou o povo a rejeitar a Hora do Brasil? Não foi a falta de mudança de voz e de estilo? Na falta de novas palavras, por falta de maior estudo e conteúdo muitos comunicadores perdem a capacidade de se expressar. A repetição, missa após missa, show após show, programa após programa, dia após dia dos mesmos vocábulos, das mesmas frases feitas acabam soando como falta de conteúdo. A boa nova pode deixar de ser boa nova por falta de bons vocábulos novos.

Ligue o rádio e a televisão e ouça as Igrejas e os movimentos pentecostais. Grave um dia de programação e conte após ouvir todos os pregadores as expressões repetidas, as palavras , as ênfases, as promessas e os pedidos de gestos e veja se não estamos diante de um exercício de repetição de vocábulos e frases feitas.

É bom? Por um tempo, certamente! Traz novos adeptos. Mas há que se perguntar por quanto tempo. A emigração de fiéis pelos mais diversos templos e a significativa mudança de religião e de Igreja, que em geral acontece com a mudança de pregador e de discurso se deve ao marketing das Igrejas e à linguagem estática de muitas outras. Há linguagens que aprisionam!

Talvez devêssemos rever nossa linguagem. Não está repetitiva demais? Quem acha que deve continuar se repetindo à exaustão e que isso é pedagógico, que o faça. Mas é um risco. Os ouvidos humanos cansam. E quando eles cansam é porque o coração já se cansou. Deus é criador e renovador, mas o discurso de muitos renovadores não é nada renovado. Parece cópia de CD. Aperta-se um botão e você já sabe o que vai ouvir. Se lessem mais os outros católicos talvez cantassem um canto novo e diferente. Mas quem disse que lêem?

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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