Para desbancar o mito de que um bom marketing, ou várias mídias reunidas podem forjar uma situação, basta olhar o resultado das eleições do Brasil e dos Estados Unidos. Acreditava-se no poder dos marketeiros, com milhões de dólares à disposição, mas as revistas nos lembram que alguns deles perderam quatro de seis eleições e mal conseguiram emplacar seus grandes nomes. Alguns mal conseguiram 16% contra 75% do outro, que não fez uso dos marketeiros famosos. Já, nos EE.UU. revistas poderosíssimas deixaram para as últimas semanas o bombardeamento contra Bush que, merecendo ou não ser reeleito, reeleito foi, e desta vez, sem sombra de dúvida. Apelou para o fundamentalismo. Vale dizer que os grupos fundamentalistas andam se comunicando melhor do que a mídia com todo o seu poder de fogo.
É bom e é ruim. Se as religiões fossem serenas, até que seria bom saber que o povo ouve mais os pregadores do que os políticos ou os donos de mídia. Mas, com a ascensão do conservadorismo religioso, do fundamentalismo evangélico, judeu, muçulmano e católico podemos esperar tomadas de posição contundentes e cada dia mais polarização. Os membros serenos dessas religiões com disposição para ouvir mais e dialogar mais parecem ter perdido a sua influência. Em todos os cantos crescem os que se proclamam eleitos e messiânicos. Acham que Deus os chama para restaurar a verdade e a pureza da sua fé e dos seus povos. Quem dialoga, segundo eles, está cedendo ao mal que deve ser enfrentado. Daí o fato de que hoje é mais perigoso e causa maior sofrimento ser um moderado que ouve e até elogia os outros, do que um obstinado judeu, muçulmano, evangélico ou católico que acha que Deus o chamou para salvar seu povo seu grupo religioso e sua fé e quando pode, enfrenta.
Vem confronto por aí, porque, além de combater os infiéis ateus e pecadores, os fundamentalistas também combatem internamente os infiéis de seus grupos e dos outros. Mesmo que não sejam infiéis, basta que não orem nem cantem nem falem como eles, para serem tachados de infiéis ou sem unção. Daí a combatê-los, proibir que falem e jogar seus ouvintes contra tais pregadores é só um passo. Quem leu a História das Religiões sabe quanta luta interna, quanto jogo de poder, quantas mortes e quanta violência esses salvadores da verdade geraram.
O panorama do Século XXI não parece nada promissor. O comunismo escravizante, o capitalismo escorchante e sua mídia começam a perder para os fundamentalistas e seus púlpitos. Como nenhum dos lados costuma se calar esperemos as acusações, calunias, críticas violentas e guerras de fundo político religioso. Prestem atenção nos que hoje ocupam o centro do poder nos lugares em conflito e nas fileiras do terrorismo e dos focos de violência. Alternam entre a Bíblia, o Al Corão, frases messiânicas e bombas. Eles acham que o mundo será deles e do Deus que age e fala por meio deles. Enquanto não conseguem o controle do seu país e do mundo eles defendem a agressão ou a retaliação. Não é novidade. Religiosos violentos e desejosos de poder, que não hesitam em matar ou diminuir os outros para atingir seus objetivos sempre existiram. Leia a Bíblia, leia o Al Corão e ouça-os que falam hoje no rádio e na televisão. A palavra de ordem é vencer! Proclamam-se vencedores! Para vencerem alguém tem que perder, não é? Como eles nasceram para vencer adivinhemos quem tem que perder! O discurso de Jesus que aceitou perder para vencer era outro. (Mt 10,38-39; Jo 12,24) Mas quem disse que aceitam esta parte do discurso dele?




