A nossa é uma era fortemente voltada para os olhos. O pecado nos dias de hoje entra muito mais pelos olhos do que pelas leituras e pelo ouvido. A televisão, os livros, as revistas, os outdoors se tornam onipresentes e quase que onipotentes. É quase impossível sair de casa sem se deparar com algum retrato de moça nua, de corpos nus, de provocação ao sexo, de exacerbação da libido em cada banca de revista diante da qual passamos, em cada outdoor que vemos, até sem querer ver. E, se ligarmos a televisão de manhã, de tarde ou de noite haverá sempre uma cena de alcova, ou de nudez.
O convite para o pecado carnal e para o prazer sem responsabilidade é permanente. Depois, há os convites para gastar, comprar, endividar-nos. Há a tentação do dinheiro, do luxo, da riqueza que não podemos nem sequer adquirir, quanto menos ostentar. E estão lá convidando também para a festa da vida e, praticamente, nos ensinando a rejeitar a cruz.
Não faltam as Igrejas que, com o seu visual e a sua pregação quase nos fazem esquecer os pobres, os miseráveis e os mendigos. E não faltam os pregadores que são capazes de omitir a dor do mundo preocupados apenas em exaltar e louvar ao Senhor. Mas está aí o visual para quem quiser ver.
Se eu limitar meu trajeto a passar pelos outdoors cheios de moças nuas ou pelos programas de televisão terei uma visão de quem não vê Jesus. Mas se os meus olhos forem aonde se sofre, onde há pobres e crianças e enfermos e se eu os abrir diante de creches, asilos, hospitais e bairros de periferia, talvez meus olhos vejam outro espetáculo. Ali estarei vendo Jesus e, dessa vez, de maneira muito mais profunda e muito mais pura. Será Jesus a dizer: – O que fizerdes a um desses pequeninos, a mim é que o fareis.(Mt 24,50)
A Igreja, agora que tem em mãos a televisão, excelentes revistas e toda uma possibilidade de encher suas igrejas de outdoors. Tem, também, uma grande oportunidade de colocar, para os olhos do povo, a realidade da palavra de Deus. Certamente os católicos poderão ver muito mais Jesus do que estão vendo a partir do momento em que transformarmos a nossa mídia em veículo da fé que passa pelos olhos.




