UM MILHÃO DE MORTOS

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Ruanda é um país africano que a maioria das pessoas nem sabe aonde fica. É um dos paises mais pobres do mundo. Lá, uma minoria Tutsi e uma maioria Hutu se enfrentavam há anos. A minoria Tutsi queria a separação.. O país já faminto, não comportaria tal separação. O presidente Juvenal Habyarimana um hutu moderado que negociava a paz com os rebeldes minoritários tutsis foi morto. Seu avião foi derrubado por extremistas tutsis.

O conflito explodiu a 7 de abril de l994. Radicais da etnia hutu, majoritária, partiram para a loucura do genocídio. Mataram qualquer tutsi que acharam pelo caminho e, com eles, qualquer hutu moderado que quisesse diálogo, ou fosse contra o banho de sangue. E mataram quem parecia tutsi. Em cem dias, uma nação pobre e enlouquecida matara 800 mil cidadãos, para não falar dos mais de 2 milhões que fugiram para o Zaire. Um país de 8 milhões de habitantes perdeu 3 milhões em menos de quatro meses. Lá estavam as fotos dos massacrados, penas e braços cortados, cabeças rachadas. Sem pés nem mãos. Vovós, crianças, mães, jovens mortos a tiros, pauladas, facadas e pedradas pelos soldados e pela população.

Agora, alguns comedores de pipoca, sentado numa confortável poltrona criticam a violência do filme de Mel Gibson. E aquilo foi o quê? O que fez a ONU:? O que fizeram os norte-americanos, que sempre invadem paises em defesa das minorias, da paz e da democracia futura? O que fizeram os franceses que tinham tratados militares com aquele país? Quem foi lá impedir aquele massacre? Mas, quando o emirado do Kwait foi invadido, os grandes correram em sua defesa. A ONU demorou também a correr em socorro de Angola, hoje um país extremamente empobrecido por 40 anos de guerra patrocinada por ideologias. Só apareceu no Timor Leste depois do massacre de 300 mil cidadãos. Morreram 6 milhões de judeus no tempo de Hitler e hoje há quem defenda Hitler e garanta que não foi genocídio. Morreram quase 20 milhões de kolkoses vitimas da revolução bolchevique e as esquerdas festivas se omitem quando falam da violência no mundo. A direita sempre diz que se defendia. Há sempre mil desculpas para a violência do nosso lado e intolerância para a do outro. Nossos mortos são vítimas, nossos assassinos são heróis que tinham que fazer o que fizeram. Arranjamos uma desculpa com a famosa expressão: “Eram outros tempos”

Sempre foi errado matar e sempre foi abominável destruir uma nação ou um povo a fio de espada…O mundo está cheio de um milhão de mortos; um milhão aqui, outro milhão ali, outro em Camboja, outro na Alemanha nazista, outro em Ruanda, um pouco menos no Vietnam, menos de cem mil nos balcans,.um pouco menos na Polônia, não sabemos quanto na China de Mao-tse-Tung. O certo é que pessoas foram mortas como se fossem uma praga de ratos. Esta parte de História universal provoca vômitos. Em nome da política e da fé o mundo já matou milhões. E pelo jeito pretende continuar a fazê-lo. Matava-se pelo dialeto, pela cor, pela religião, pelo lugar onde moravam ou pela roupa que vestiam. Depois iam verificar se eram mesmo do outro lado.

Faz dez anos que aconteceu aquele horror em Ruanda: abril de l994. A televisão o mostrava todos os dias. Hoje comemos pipoca num cinema e achamos o filme de Mel Gibson violento demais. Reagimos do mesmo jeito quando a televisão mostrava aquele massacre e aqueles pobres caindo na estrada enquanto fugiam para lugar nenhum? Compremos mais cem quilos de pipoca, porque veremos muito disso no futuro. Enquanto os fortes impuserem sua lei, seus juros e suas políticas, podemos esperar o ódio dos fracos e o show de força dos fortes. E em algum outro lugar do planeta morrerão mais dez mil ou quem sabe, mais um milhão. Afinal, não é aqui!…

Pe. Zezinho scj

© Padre Zezinho scj

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