SOCIEDADE SEM FREIOS

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As pessoas escolhem. Também os comerciantes. E não são poucos os que escolhem o erotismo como forma de vender. Como era de se imaginar, notícia de 13 de novembro, menos de quinze dias depois do incidente Geisy Arruda e Band, nos informa que a Du Loren pensa em contratar Geisy para divulgar suas lingeries. Não tivesse havido o incidente da excessiva exposição, será que a contratariam? A projeção por ela conseguida ajudou a moça e prejudicou a faculdade. Venceu o indivíduo, perdeu a comunidade. Por conta do episódio, em nome da liberdade no vestir-se em público, estudantes se desnudaram em Brasília. A questão ganhou contornos políticos.


Estamos em plena era da licenciosidade. O “eu quero, e daí?” trouxe à cena a primazia do indivíduo sobre a comunidade. O que pensa a comunidade vale menos do que o que o sujeito pensa. A comunidade que se lixe e os incomodados que olhem para o outro lado. E quero mostrar nudez e baixaria na televisão, a dona de casa que mude de canal. Se há crianças do outro lado, a família que controle o que elas vêem. Eu, indivíduo, não aceito que me digam o que dizer o que vestir e como conduzir meu corpo em público!


Tem sido assim nas sociedades ocidentais onde o culto ao indivíduo virou ditadura. E o erotismo é um dos fortes componentes dessa imposição de costumes. Está na bancas, na televisão, em programas ditos humorísticos, em piadas que 90% das vezes visam o sexo, nos desfiles de moda íntima, nas praias, nas canções. O sexo tornou-se o tema principal de muitos veículos de comunicação. Quando acham alguém disposta a vender seus produtos porque esta moça teve a coragem de bater de frente com uma instituição de ensino, abrem-lhe espaço. Às faculdade fica reservado apenas e tão somente o ofício de informar. Se ela opinar, será desafiada. Escolas não põem mais formar: devem apenas informar…


Aonde vamos? Na direção do “é proibido proibir”. Isso, até que as mesmas heroínas um dia se tornem mães de crianças e adolescentes e descubram que sem semáforos em casa e na sociedade ninguém avança. Precisamos redescobrir a palavra não! Ela nem sempre é negativa. Lembra-se do dia em que você, ainda criança começou a bater a porta da geladeira e a mãe reagiu irada? Pois é. De estudantes universitários era de se esperar que já tivessem entendido a importância do limite. E nem sempre somos nós a decidir onde eles começam. Faça isso no trânsito e seus amigos em lágrimas saberão no que dá, isso de passar por cima das leis vigentes. Nem todas elas são estúpidas…

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