Seria injusto dizer que os ricos de São Paulo não ligam para os pobres. É imenso o número dos que já foram pobres e hoje são ricos e que se preocupam em criar empregos e cumprir as leis trabalhistas. Não faz sentido condenar alguém só porque tem dinheiro. É preciso ver quem é quem sem generalizar. Mas uma coisa é certa: espera-se mais de quem tem mais. É doutrina cristã.
Podemos mudar e queremos mudar. Há pessoas maravilhas em outras religiões nesta São Paulo cosmopolita e multifacética. Há cristãos admiráveis nas mais diversas igrejas e denominações cristãs que, em São Paulo, se proclamam de Cristo. Paulo, o apóstolo de quem a cidade herdou o nome, teria gostado de morar aqui. Mas não custa nada lembrar aos que se afiram cristãos que a Campanha da Fraternidade, este ano ecumênica, propõe a quem crê em Jesus uma Quaresma 2010 centrada no tema: “Deus e o dinheiro!” Já que não costumam andar juntos qual dos dois nos governa?
Há uma tentativa por parte de muitos crentes de conciliar muita fé com muito dinheiro. Belo esforço, mas não dá! Pouco dinheiro e muita fé, muita fé e pouco dinheiro, ou fé que controla o dinheiro até que dá certo. Mas quando o dinheiro começa a falar mais alto, não há fé que prossiga pura. Vai atrelar a Bíblia ao Bovespa.
A Campanha da Fraternidade vem dizer, às vezes, de maneira sutil e, às vezes, com enorme clareza, que há uma riqueza e uma pobreza que nos afastam de Deus. Há que haver limites para o ter e para o não ter. Está em Mc 10,23-24 e em Mt 6,24 Também não é verdade que Jesus condena qualquer riqueza. O que ele condena é o dinheiro como objetivo numero um de uma vida.
Num país governado por um presidente sindicalista e um vice-presidente empresário, ambos bem sucedidos no que faziam, é bom lembrar para quê serve a riqueza de um país. Aplausos pelo que já foi feito pelos pobres. Aplausos para muitos ricos que fizeram e fazem a sua parte. Nem ingênuos, nem rançosamente raivosos admitamos que o Brasil está mudando.
E São Paulo talvez seja o melhor retrato destas mudanças e do porquê da CF 2010. Aqui se concentram e por aqui circulam fortunas e riquezas inimagináveis. Mas aqui também há pobrezas inconcebíveis e inaceitáveis: umas bem perto das outras, ás vezes acavaladas no mesmo morro! O recado é contundente: ou resolvemos estas distâncias tão perigosamente próximas, ou a voz dos pregões e as dos pregadores perderão credibilidade. Se a fraternidade não subir o Brasil não terá subido.




