Quando eu nasci em 1941 de pais caboclos em Machado, MG, numa família onde corria sangue de branco, negro e mulato, na África estavam separando negros de brancos; nos EEUU matavam negros que ousassem se misturar com brancos ou olhar para uma loira e arranjavam um motivo para linchá-los; na Alemanha matavam judeus (morreram 6 milhões), moças bonitas e brancos eram tratados como reprodutoras para gerar brancos arianos; gente de cor ou sangue misto era eliminada, a filosofia da eugenia e da raça pura e vencedora levou o mundo a guerra e ao ódio sem fim.
Hoje aos 63 anos vejo políticos e religiões outra vez falando de cultura superior, religião superior, vencedores em Cristo, gente especial; religiões inferiores, grupos mais santos e mais eleitos, corporações de resultado, religiões de resultado, chamado especial e outra vez vejo políticos segregando, religiosos se fechando em redomas, cidades e vilas redomas e não se misturando com quem não recebeu o Espírito Santo como eles, vejo pregadores anunciando-se vencedores em Cristo com um projeto de chegar ao poder e calar os outros religiosos; gente agredindo e denegrindo quem é ecumênico e quer diálogo, grupos lutando pelo aborto, pela clonagem, e usando os mesmos argumentos “pseudo-científicos” dos defensores da eugenia ou dos autores dos decretos de Nüremberg (1935), vejo cidadãos de outros países presos em cadeias de arame farpado, vejo terroristas matando em nome de Deus e capitalistas criando “democracias” que os mantenham no controle do petróleo e das rotas da riqueza.
Quando eu nasci o mundo achava natural que os (asoziale) anciães fossem esterilizados ou exterminados. Pouca coisa mudou: grupos religiosos estão virando seitas e segregando ao ponto de sugerir que seus adeptos só amem e se casem com gente deles e que nenhum pregador de fora lhes fale.
Igrejas, grupos políticos, precisariam reler a sombria historia do século XX. Não leram, não entenderam e começam a reprisá-la. A maioria dos massacres do século XX aconteceu porque algum teórico, filósofo, político ou pregador disse que era normal que alguém diminuísse alguém e que Deus chamava alguns para serem vencedores.
Não gosto do que ando vendo na TV, ouvindo no rádio e nas Igrejas e encontros de oração e lendo em certas revistas.
Quando alguém se acha mais é porque acha que o outro é menos!
O século XXI, a continuar com este fundamentalismo, se anuncia pior do que o século XX. Começou com o terrorismo de 2001 derrubando o símbolo do poder econômico e tentando destruir o símbolo do poder político e militar ocidental e cristão. Prosseguiu com duas guerras de retaliação de capitalistas e cristãos e com o recrudescimento do ódio religioso, político e racial. Agora já se mistura o messianismo religioso com o político, duas vertentes excludentes e perigosas.
A morte se anuncia mais ampla e ainda mais cruel. E o que é triste: há religiosos no meio do processo! É a volta da guerra justa (Elite Kriege). Matar ou calar o outro voltou a ser lógico e normal Deus? Ele que se adapte!




